A praça de pedágio de Mauá da Serra (54 Km ao sul de Apucarana) foi tomada no final da manhã de ontem por pelo menos 200 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Ao chegarem no local, os manifestantes quebraram cancelas, cortaram fios de energia elétrica e tomaram conta das dependências da praça. De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual, que somente acompanhou a manifestação, não houve confronto entre os trabalhadores rurais e os funcionários da empresa, que deixaram a praça logo após o início do protesto.
Um dos líderes do manifesto, Afonso Borges, conhecido como Batista, garantiu que os trabalhadores rurais estão dispostos a permanecerem no local até que seja aprovado o projeto de encampação na Assembléia Legislativa. O grupo montou um acampamento às margens da rodovia. ''Somos todos pessoas simples acostumadas a passar por dificuldades. Não temos muita comida, mas contamos com a solidariedade das pessoas que apóiam nosso movimento'', afirmou.
Batista disse que desde que chegaram à praça de pedágio, todos motoristas passaram pelo local sem pagar a tarifa. Ele negou que o movimento estivesse fazendo a cobrança por conta própria. Porém, um policial rodoviário, que pediu para não ser identificado, confirmou que em alguns momentos os manifestantes fechavam a passagem, só autorizando mediante o pagamento de um valor estipulado.
Durante o período que a equipe de reportagem da Folha permaneceu no local, alguns manifestantes fizeram questão de mostrar que estavam armados com facões. O próprio Afonso Borges, por várias vezes, riscou o facão no asfalto, em uma clara tentativa de intimidar os jornalistas.

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