Em manifesto, padres reclamam de 'momento político' em Sarandi
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segunda-feira, 04 de março de 2013
Edson Ferreira <br> <br> Reportagem Local 
Um grupo de padres da cidade de Sarandi (Noroeste) divulgou nota pública mostrando preocupação com o ''momento político'', gerando na sociedade a sensação de ''abandono e insegurança'' no município, administrado interinamente pelo vice-prefeito, Luiz Carlos de Aguiar (PPS), há mais de um mês.
Aguiar assumiu o cargo depois que o prefeito Carlos Alberto de Paula Júnior (PDT), seu secretário de Educação, Antônio Manoel Mendonça Martins, e outros dois servidores municipais foram afastados por envolvimento em licitações da Prefeitura de Sarandi supostamente fraudulentas.
Intitulado ''por uma Sarandi cidadã'', o documento ''não quer apontar se houve ou não delito'', mas ''não podemos admitir que a segunda maior cidade da região metropolitana de Maringá continue à deriva''. Considerada ''omissa'' pelo padre Décio Marques, a Câmara de Vereadores foi duramente cobrada pelos religiosos. Em entrevista à FOLHA, padre Décio afirmou que ''teve um pedido de investigação na Câmara que foi ignorado pela maioria dos vereadores''.
O texto, assinado pelos padres e distribuído pela assessoria de imprensa da Arquidiocese de Maringá, questiona a atuação do Legislativo: ''Perguntamos onde está a Câmara de Vereadores? Não é ela a fiel representante do povo, para fiscalizar, cobrar e esclarecer aos cidadãos e cidadãs o ocorrido?''.
O presidente do Legislativo, Rafael Pszybylski (PP), mesmo reconhecendo que a Casa nada tem feito em relação ao escândalo, atribuiu a inércia ao sigilo judicial nas investigações sobre as supostas fraudes nas licitações. ''A investigação corre em segredo, então não temos informações, ninguém tem'', afirmou o vereador cujo partido estava na coligação de apoio ao prefeito cassado nas últimas eleições.
''Os vereadores preferiram aguardar o que será decidido na Justiça'', complementou Rafael, se referindo a um recurso do prefeito Carlos Alberto tentando voltar ao cargo, que deve ser analisado nesta quinta-feira pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Questionado pela reportagem porque o sigilo judicial estaria impedindo a abertura de investigação na Câmara, o presidente informou que ''foi uma decisão dos vereadores''. Segundo Rafael, ''pelo que a vente vê, o prefeito não cometeu erro nenhum''.
De acordo com Padre Décio, os vereadores não estão cumprindo o seu papel de fiscalizar os atos do Executivo. ''Enquanto temos essa situação na cidade, na Câmara eles estão discutindo a ampliação do prédio'', criticou. O presidente da Casa confirmou que a reforma está sendo encaminhada para o ano que vem.


