Em Londrina, Serra evita tema polêmico
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Carregado pelo eleitor mais afoito no Aeroporto José Richa sob gritos de guerra e ovacionado em um trecho de menos de 100 metros do Calçadão da Avenida Paraná, o candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, defendeu ontem em Londrina - onde esteve pela terceira vez, nesta campanha - os investimentos em educação, mas se esquivou de perguntas sobre ações específicas ao eleitorado homossexual. Em uma coletiva de cerca de cinco minutos, no Hotel Sumatra (Centro), Serra foi abordado sobre a reação de parte da igreja evangélica às declarações dele, esta semana, de que seria favorável à união de casais gays - a adversária, Dilma Rousseff (PT), dissera na véspera ser contra. O tucano não respondeu, assim como evitou também se posicionar sobre a adoção de filhos por casais homossexuais.
O candidato chegou à cidade, às 16h50, aguardado por eleitores, além de políticos tucanos como o governador eleito Beto Richa e seu vice Flávio Arns, o senador Alvaro Dias, e deputados pertencentes à coligação que elegeu Beto. De lá, em carreata, seguiram para o Calçadão, onde o tucano entrou em quatro lojas e cumprimentou eleitores, pedindo votos. Em meio à balbúrdia e ao temporal que se aproximava, um vendedor ambulante anunciava, no grito, o guarda-chuva do Serra, azul.
No hotel, o presidenciável assinou uma carta-compromisso pela garantia do direito à educação de qualidade assinada por 27 entidades - entre as quais OAB, CNBB, CUT e movimento Todos pela Educação -, lembrou, no dia do professor, ser ele também parte da categoria, e respondeu a perguntas, na breve coletiva, sobre privatização, educação, política tributária e ritmo de campanha. Em cada sala de aula hoje nasce o Brasil de amanhã; a educação não pode ser um assunto partidário, para companheiros ou para mobilização político-eleitoral: tem que ser bandeira nacional, suprapartidária, reunindo todos os setores da socidade brasileira e setores relacionados.
Sobre a temática privatista, que dominou ontem o horário eleitoral do PT e do PSDB, retrucou: Esse tema é a bola da vez do PT, que chega na hora da eleição e começa a inventar coisas para ganhar voto, só isso. Não é um tema atual, até porque nem tem privatização mais a ser feita, e até mesmo porque o PT é muito privarizante - diminuiu, por exemplo, a participação do Estado no Banco do Brasil.
Para Beto, que disse estar otimista para que, no Estado, haja mais de um milhão de votos de diferença para Serra, puxar votos para o colega tucano, sem um segundo turno do Estado, será uma tarefa menos árdua. Porque perdi muito apoio de prefeitos diante da pressão do governo do Estado; agora isso arrefece, acredita. A partir de terça, Beto viaja ao Tocantins, Bahia (região sul), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Roraima e Rondônia com Serra.
Já Alvaro afirmou que, para essa reta final de campanha, a expectativa é que seja travada, entre os dois candidatos, a batalha da comunicação. À noite, Serra participou de um comício no comitê central de Beto em Londrina, em frente ao Terminal Central.


