Em uma visita aparentemente surpresa a Londrina, ontem à tarde, o governador Roberto Requião (PMDB) visitou os hospitais Universitário (HU) e Zona Sul (HZS) e anunciou a homologação da licitação - realizada há mais de um mês - para as obras de reforma e ampliação do HZS e também do Hospital Zona Norte (HZN), há pelo menos dois anos atrasadas. O peemedebista, acompanhado de assessores, do secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, e de nomes do PMDB local, se disse em agenda oficial à cidade, mas aproveitou a oportunidade para declarar ''apoio do governo'' ao candidato do PSDB à Prefeitura, Luiz Carlos Hauly (PSDB). A declaração pró-tucano, feita para uma produtora de TV, aconteceu do lado de fora do Zona Sul, em frente à ala em reforma. Em seguida, o governador seguiu para uma reunião de campanha no Hotel Crystal (Centro).
Requião desembarcou no aeroporto pouco antes das 16 horas, e, de lá, seguiu para o HU, onde visitou, em menos de meia hora, a Unidade de Tratamento de Medula Óssea, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) e o novo Pronto Socorro (PS), ainda não inaugurado à população, segundo a direção do hospital, por falta de equipamentos e funcionários. Quando o novo PS - já que o antigo vem passando por sucessivas superlotações - será inaugurado? ''As contratações já estão autorizadas; ele abre dentro de, no máximo, 60 dias'', definiu.
Sobre as obras no HZN e no HZS, o governador preferiu citar apenas a homologação do certame realizado em 3 de fevereiro e os ''R$ 40 milhões em saúde investidos em Londrina''. ''Os antigos empreiteiros abandonaram a obra, se desentenderam com o Governo, e tivemos que licitar de novo''. Nesse caso, contudo, não foi especificada uma data para conclusão.
A FOLHA acompanhou as duas visitas. Em ambas, o peemedebista fez questão de salientar que não apenas declararia apoio a Hauly, como, ''com toda a certeza'', participaria de programas eleitorais do tucano - que começa já neste sábado. ''Londrina merece ser pacificada, e os homens e mulheres bem intencionados devem se somar e colocar um prefeito que tenha a confiança do Governo do Estado. O candidato que tem essas características hoje é o Hauly'', discursou.
No HZS, pouco antes de escolher o local para gravar a mensagem de apoio ao tucano, o chefe do Executivo estadual completou: ''Hauly não é do meu partido, não tem sido meu companheiro de campanha, mas tenho obrigação, antes de tudo, de pensar em Londrina, de reconciliar a cidade consigo mesma''. Na declaração de campanha, gravada, disse que Hauly ''terá o apoio do governo do Paraná'' para ''resgatar o tempo perdido'' e reforçou as cifras de investimento em saúde. Se a gravação de mensagem eleitoral não destoa do tom oficial da agenda, conforme anunciado? ''Não, são coisas completamente diferentes'', encerrou.
Já Hauly discordou ao ser indagado se não teme prejuízo na eleição municipal com o apoio de um candidato que teve mais de 70% de rejeição na última eleição estadual - diante de Osmar Dias (PDT), que agora apoia Barbosa. ''Não, pois essa é uma parceria produtiva que visa unir a cidade ao governo e acabar com essa briga. Vai ser um excelente relacionamento que trará parcerias na saúde, educação, segurança, assistência social e na infraestrutura da cidade e da região'', acredita.

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