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Londrina

DE OLHO EM 2022

m de leitura Atualizado em 27/11/2021, 09:21

Em Londrina, Requião confirma disposição de disputar governo do Paraná

Completando 81 anos em 2022, o ex-governador não considera a renovação um fator preponderante na política

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Guilherme Marconi - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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O ex-governador e ex-senador Roberto Requião (sem partido) ainda não definiu se irá para o PT ou PDT, principais possibilidades de legendas que poderão abrigá-lo para a disputa ao Palácio Iguaçu, maior objetivo político dele nas eleições 2022. Em Londrina, onde veio ontem (24) participar de encontro com lideranças políticas e correligionários, Requião não cravou qual sigla será seu destino, mas disse que oito partidos devem viabilizar a sua candidatura ao governo como único nome "de peso" para enfrentar o atual governador Ratinho Junior (PSD), que tentará a reeleição. "Vamos decidir isso (filiação) coletivamente, minha preferência é para qual for mais viável do ponto de vista eleitoral e legal", afirmou em visita à FOLHA.

Imagem ilustrativa da imagem Em Londrina, Requião confirma disposição de disputar governo do Paraná Imagem ilustrativa da imagem Em Londrina, Requião confirma disposição de disputar governo do Paraná
 

Entre as legendas que compõem o grupo de oposição ao atual governo, o ex-governador citou o PT, PDT, Rede, PC do B e até parte do PSB. "Nós estamos fazendo uma caravana pelo Estado para levantar o nível de consciência política no Paraná, se nós não entendermos essa realidade, nós não podemos mudá-la."   

Após décadas no MDB, que sempre chamou de "MDB velho de guerra", Requião confessou que a definição do rumo a tomar depende de conjuntura político-partidária. Já a candidatura ao governo do Paraná, além de ser um contraponto ao governo Ratinho Junior (PSD), servirá de palanque do ex-presidente Lula (PT) no Estado. Na caravana, Requião estava acompanhado de seu filho, o deputado estadual Requião Filho (MDB), do presidente estadual do PT, o deputado estadual Arilson Chiorato, e de outros parlamentares petistas e pedetistas. Apesar disso, interlocutores dos dois partidos ouvidos pela reportagem informam que o caminho mais provável é da filiação dele e de Requião Filho no PDT até março do ano que vem, prazo final para que possam disputar o pleito. 

CENÁRIOS

O ex-governador disse acreditar que Lula já está eleito presidente, mas fez elogios ao ex-ministro Ciro Gomes, que também se coloca como presidenciável pelo PDT. "Eu atribuo um valor grande à discussão que o Ciro está fazendo da questão econômica, mas a candidatura viável hoje é de Lula, é só abrir as pesquisas", avaliou. Segundo Requião, em ambos os partidos o caminho estaria aberto para ele para a disputa ao governo do Paraná. 

Questionado se a filiação ao PT poderia inviabilizá-lo no estado diante do histórico de rejeição do partido entre os paranaenses, o ex-governador minimizou o fator "conservadorismo" do eleitor do Estado. "Eu fui eleito três vezes governador, senador duas vezes, eu não sou exatamente a direita do Paraná", respondeu com ironia. "Eu venci o Lerner em Curitiba. Não existe essa de conservadorismo. Existe proposta e espaço de comunicação."

PEDÁGIO

Para o ex-governador, a questão social, a inflação (com aumento de água e da luz) e o pedágio estarão entre os temas a serem confrontados no debate político estadual. Requião disse que não renovaria a concessão do pedágio se esse poder estivesse em suas mãos. "A princípio não renovaria. Se tivesse falta de recursos estadual, eu faria um pedágio apenas de manutenção para garantir segurança e ambulância, com valores menores. Por que você tem que pagar para empreiteiro contratar um subempreiteiro?", questionou. Entretanto, não mostrou soluções para duplicações de rodovias e outras obras de infraestrutura.

Requião ainda apontou que o governador Ratinho Jr. estaria jogando propositalmente o leilão do pedágio para o período pós-eleitoral para colher o bônus e evitar desgastes. "Se ele ganhar, ele faz. Nós ganhamos, ele (pedágio) acaba."  Questionado pela FOLHA sobre não ter conseguido cumprir a promessa de acabar com pedágio criado no governo Jaime Lerner (1995-2002), Requião respondeu que o Judiciário o impediu. "Eu entrei com 42 ações, nas 42 o Ministério Público se posicionou contra o Estado, e nas 42 o Judiciário deu liminar satisfativa, que nunca vai a júri, ao pleno. Eu briguei durante meus três mandatos. Tanto que agora eles dizem que foi um roubo, o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público, mas quando eu era governador diziam que não era e sustentavam o aumento." 

Entretanto, Requião não considera o pedágio como o pior legado do Estado e defendeu retomada de discussões como as questões elétrica e social. "Eu tinha 320 programas sociais no meu governo. Você conhece algum do governo atual? É vender empresa pública. Eu coloquei internet banda larga em 55 mil escolas. E agora a Copel Telecom foi vendida. O Ratinho vendeu e alugou em seguida." 

Completando 81 anos em 2022, o ex-governador não considera a renovação um fator preponderante na política. "Renovação na política não é de pessoas, é do exercício da administração, da prática das ideias. Eu fiz 320 programas no Paraná, trator solidário, formação continuada de professores, processamento geopolítico da criminalidade. A Angela Merkel ficou 16 anos na Alemanha e eu não vi ninguém reclamar."