A versão local da mobilização nacional contra a corrupção foi ''tímida''. Apenas cerca de 70 pessoas foram ontem na Praça Floriano Peixoto, no centro de Londrina, para protestar. Sem uma organização formal, os participantes difundiram a ideia através de redes sociais. ''Estou aqui porque não aguento mais tanta corrupção. O brasileiro paga muito imposto e vê pouco deste dinheiro em seu proveito. Boa parte vai para a corrupção'', declarou o professsor de Marketing da Universidade Estadual de Londrina Robson Casagrande.
Neste clima, muitos participantes discurssaram. Alguns poucos políticos apareceram por lá para dar o recado contra a corrupção. A professora aposentada Vilma Lima, assim com a maioria dos manifestantes, lamentou a participação de poucas pessoas. ''Todo mundo reclama da corrupção, mas é preciso também ter uma ação. Um protesto como esse é uma forma de ação.''
A artista plástica Wanda Grade disse que diante da ''total degradação dos valores éticos na política'', a população deve mostrar sua indignação. ''Precisamos mostrar aos políticos que não somos subservientes, que não ignoramos o que eles estão fazendo'', avaliou.
O presidente do Observatório de Gestão Pública, Waldomiro Grade, um dos idealizadores da manifestação, afirmou, diante da baixa participação popular, que combater a corrupção trata-se de uma luta dupla. ''Temos que lutar contra a corrupção e também lutar contra a apatia da população.''
Com o objetivo de falar contra os recentes esquemas revelados no governo federal, alguns participantes não esconderam o desagrado com a administração local. ''Temos ruas esburacadas, pessoas morrendo em filas de postos de saúde e denúncias de desvio de dinheiro público. O problema é que o dinheiro desviado nunca volta aos cofres públicos; há a crença na impunidade e a população está apática'', defendeu o professor Robson Casagrande.

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