Mais de 400 servidores de Londrina e região paralisaram ontem suas atividades nas agências do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Receita Federal (RF), Receita Estadual (RE) e Polícia Federal (PF). Juntos estes orgãos atendem cerca de 1,5 mil pessoas por dia.
Na RF, a paralisação ganhou a adesão dos 120 servidores. Segundo o técnico Marcos Tavares, hoje a categoria deve decidir se a paralisação se estenderá para 48 horas ou 72 horas. ''Avaliamos que uma paralisação por tempo indeterminado neste momento poderia queimar o movimento e atrapalhar a negociação com o governo'', afirmou Tavares.
Os 166 servidores da Receita Estadual também cruzaram os braços. O movimento, segundo o Sindicato dos Agentes Fiscais da Receita Estadual do Paraná (Affep Sindical), é apenas de advertência. ''Ela fere os direitos constitucionais dos servidores que, quando passaram no concurso, assinaram um contrato com as regras atuais e eles (o governo federal) estão querendo quebrar isso'', justificou o diretor da comissão sindical, Élio Sanzovo.
Para ele, a Previdência Social não é deficitária. ''Foram criados dez tributos para cobrir a Seguridade Social, além da contribuição dos empregados, empresas e servidores, que juntos dão um lucro de R$ 50 bilhões anuais'', comentou. Sanzovo afirmou que o governo considera como receita apenas os recolhimentos dos trabalhadores e empresas.
Nas duas agências do INSS de Londrina, a adesão ao movimento não foi total. Conforme uma servidora, a agência do centro não atendeu o público, mas parte dos trabalhadores cuidaram do serviço interno. Na agência do Jardim Shangri-lá, foram atendidas ontem cerca de 100 pessoas. A assessoria de imprensa do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Previdência, Saúde e Trabalho (SindPRevs), afirmou que a paralisação por tempo indeterminado das agências de Londrina, Cascavel e União da Vitória está marcada para hoje.
A principal pauta de reivindicações dos servidores é reajuste de 25% no salário, aumento do valor do auxílio alimentação de R$ 77 para R$ 250, e a implantação do Plano de Cargos e Salários. Os servidores também querem a revisão da Reforma da Previdência.
A DRT também iniciou ontem a greve por tempo indeterminado. Somente em Londrina, enquanto durar a greve, cerca de 30 carteiras de trabalho deixarão de ser emitidas. Na Polícia Federal foi mantido um efetivo de 30% para atender emergências. O setor de passaportes ficou paralisado.
A estimativa do SindiPRevs é de que pelo menos 60% dos servidores federais do estado aderiram ao movimento contra a Reforma da Previdência. (Colaboraram Thiago Mossini e Adriana Savicki)

mockup