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Londrina

Eleições 2022

m de leitura Atualizado em 19/03/2022, 10:54

Em Londrina, Lula encontra militância do MST e movimentos sociais

Com histórico de derrotas eleitorais no município, interlocutores do ex-presidente espera que petista diminua rejeição no Norte do Estado

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de março de 2022

Guilherme Marconi - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Nos últimos 20 anos o Partido dos Trabalhadores nunca registrou favoritismo nas eleições presidenciais em Londrina. Mesmo a cidade já tendo eleito dois prefeitos, Luiz Eduardo Cheida (1993-1996) e Nedson Micheletti (2000-2008), se dependesse dos eleitores do município o país jamais teria escolhido um presidente petista. Neste sábado (19), ao lado do ex-governador Roberto Requião (PT), o ex-presidente da República e pré-candidato Luiz  Inácio Lula da Silva tenta diminuir essa rejeição e volta a pisar solo em londrinense para um encontro com a militância. O evento será no distrito de Lerroville, no assentamento Eli Vive, considerada a maior área fruto de reforma agrária presente em região metropolitana do país. 

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. |  Foto: Isaac Fontana - Frame Photo - Folhapress
 

O encontro ocorre um dia após a filiação do ex-governador Roberto Requião ao PT - o ex-emedebista será o pré-candidato ao Palácio Iguaçu. A campanha dele também servirá de palanque para Lula em todo estado do Paraná. Batizado de “Jornada de Solidariedade: Rumo aos Comitês Populares”,  o ato também será de agradecimento aos militantes que fizeram parte da vigília Lula Livre em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba no período em que o ex-presidente esteve preso por conta da condenação pela Lava Jato, que foi anulada no STF no ano passado. 

"A militância ficou junto com Lula os 581 dias até quando ele justamente conquistou sua liberdade. Vai ser um encontro do presidente Lula com toda militância do MST do Paraná e do Brasil, toda a militância política e social que passou pela vigília. Além de também ser um encontro de lideranças partidárias. Então o ato tem esse conteúdo político de alcance além do MST.", explicou o coordenador estadual do MST (Movimento Sem Terra), José Damasceno.

Para a vereadora de Londrina Lenir de Assis, a única do PT na Câmara, a agenda do ex-presidente Lula é aguardada há muito tempo não só pela militância do MST, como por lideranças políticas, sindicais, movimentos populares e sociais. "A expectativa é grande, especialmente porque escolheu estar entre trabalhadores do campo que produzem alimentos saudáveis. O assentamento Eli Vive é  fruto da reforma agrária, que deu certo. Um encontro com o MST é também uma oportunidade de reunir no mesmo espaço a militância do Partido dos Trabalhadores e outras siglas, e toda uma população que aposta num projeto de país onde as pessoas tenham seus direitos respeitados, emprego, comida, dignidade e oportunidades".

REJEIÇÃO

Questionada sobre a rejeição aos governos petistas pelos eleitores londrinenses, a parlamentar disse acreditar que há espaço para diminui-la e ampliar esse apoio ao ex-presidente Lula. "O apoio a Lula tem ganhado força no Brasil e em nossa região, especialmente entre a juventude que tem vivido retrocessos nas politicas públicas que a afeta diretamente. Esse encontro com Lula e outras lideranças, como o Requião, recém-filiado, é uma grande oportunidade para reanimarmos nossas militâncias. É fundamental construir um programa de governo e um modelo de sociedade que venha ao encontro das expectativas e necessidades das pessoas. Reavivar a esperança é essencial para construir um Brasil melhor, e Lula, enquanto liderança politica, certamente vem com esse compromisso.' 

A vinda de Lula a Londrina mobilizou também movimentos contrários ao ex-presidente. Nas redes sociais, grupos de direita prometiam organização manifestação contra o presidenciável petista, que lidera as intenções de voto nas principais pesquisas já divulgadas no país. Um outdoor com a foto de Lula e os dizeres "Aqui esse ex-presidiário é reconhecido como o traidor da pátria. Fora, maldito" foi instalado na zona norte. 

HISTÓRICO DE VOTAÇÕES DO PT EM LONDRINA

No segundo turno das eleições para presidente em 2018, o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) conquistou 80,32% dos votos válidos contra 19,58% do então candidato Fernando Haddad (PT). Em 2014, não havia sido diferente, o candidato que fazia oposição ao governo petista, Aécio Neves (PSDB), recebeu 77,6% dos votos válidos, enquanto sua adversária e ex-presidente Dilma Roussef obteve 22,3%. O tucano teve à época em Londrina o melhor resultado no segundo turno entre as 10 maiores cidades do Paraná. 

Nas eleições de 2010, a ex-presidente Dilma Roussef também perdeu de grande diferença em Londrina, mesmo com a alta popularidade do seu maior cabo eleitoral, que foi o ex-presidente Lula. O candidato derrotado no segundo turno, José Serra (PSDB), venceu a disputa em Londrina com 75,54% dos votos, contra 24,46% da petista. O índice foi considerado o pior resultado da então candidata em 2010 nas cidades com mais de 200 mil eleitores. 

Já em 2006, quando Londrina era administrada pelo prefeito Nedson Micheletti (PT), o ex-presidente sofreu uma derrota "acachapante" no município. No primeiro turno, por exemplo, seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), obteve 68,38% dos votos válidos, contra 17,75% dos votos atribuídos a Lula. 

Mesmo sendo derrotado em Londrina no ano de 2002, o cenário ainda era mais favorável ao PT. Na sua primeira campanha vitoriosa a presidente, há 20 anos, Lula venceu nacionalmente com 61,32% dos votos válidos, porém no município ficou atrás do então candidato tucano José Serra (PSDB), que mesmo derrotado obteve 55,36% contra 44,66% no segundo turno das eleições.

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