O ex-governador emprestou o nome ao Parque de Exposições de Londrina que anualmente sedia a maior feira agropecuária do Estado, uma estrutura que, segundo os diretores da Sociedade Rural do Paraná, proprietária da área, representa uma das mais funcionais para feiras agropecuárias. Ney Braga inaugurou o recinto em abril de 64, dias depois do golpe militar. Além do governador, que também era militar, desembarcou em Londrina o presidente Castelo Branco, que era amigo pessoal de Ney Braga.
O atual presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, disse ontem que o ex-governador deverá receber uma homenagem póstuma durante a próxima exposição agropecuária. ‘‘Tinha grande liderança e conseguia colocar o Paraná para cima’’, testemunhou. O ex-diretor da Sociedade Rural, Fernando Agudo Romão, que integrava a diretoria na época, disse que Ney Braga foi um dos grandes responsáveis pela estruturação do parque.
Ele lembra que o ex-governador acreditou na entidade e investiu na construção de barrocões e da sede. Ney Braga também conseguiu trazer para Londrina o registro de animais zebuínos, que antes só era feito em Minas Gerais. Outro ruralista, Waldemar Neme, que era diretor-técnico da Sociedade Rural em 1964, colocou que Ney Braga era afinado com as causas da agropecuária.
O presidente do Conselho de Administração da Folha de Londrina/Folha do Paraná, João Milanez, que conviveu com o ex-governador durante visitas que ele fez à cidade, afirma que o Paraná tem sua história dividida entre antes e depois da passagem de Ney Braga. Ele lista como obras fundamentais, a Estrada do Café, que liga o interior à Capital e o programa de troca de reprodutores, que deu início à melhoria da qualidade genética do rebanho paranaense. ‘‘Ele tinha boa índole, gostava e exercia bem o poder; foi o melhor apartador de homens, conforme definiu o cafeicultor, Olímpio Monteiro’’, afirmou João Milanez.