Em Londrina, Gleisi e Osmar expõem racha
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quinta-feira, 08 de abril de 2010
Janaina Garcia eMariana GuerinReportagem Local 
A Executiva Estadual do PT deve definir na próxima segunda-feira um posicionamento em relação à aliança ou eventual ruptura com a candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao Governo do Paraná. Em visita ontem à cidade para a 50 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, contudo, a presidente licenciada do partido, Gleisi Hoffmann, foi enfática: se fosse para determinar eventual intervenção no posicionamento do PT-PR - que defende a candidatura dela ao Senado -, a Executiva Nacional já o teria feito. O pedetista reforçou ontem que aguarda ''para a semana que vem'' uma resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à intenção do PDT de, em outra linha de coalizão, lançar Gleisi como vice na chapa do senador. ''Se fosse para (o PT nacional) determinar algo, já teria feito, e não deixado chegar a esse ponto de desgaste, de tensão'', afirmou a pré-candidata, que completou: ''Não tem como o PT voltar atrás, pois a Executiva Nacional pediu às estaduais que priorizem as candidaturas ao Senado - tanto que, pela primeira vez na história do partido, teremos mais candidatos a senadores que a governadores'', apontou.
Ontem, no final da manhã, ambos se cruzaram no Parque Ney Braga, quando Gleisi chegava, já na saída de Osmar. Em entrevista à FOLHA, ontem à noite, ela afirmou que, a despeito de rumores sobre um suposto pedido de Lula para que cedesse e assumisse a posição de vice do pedetista, as conversas com o senador nos termos hoje defendidos pelo PT não são recentes.
''Desde o começo do ano passado estamos trabalhando nessa candidatura ao Senado, e sempre falamos isso para a base aliada - com o Osmar, por exemplo, e o presidente Lula tem acompanhado isso. Nenhuma ação nossa deixou de ser acompanhada pela direção nacional do PT, e nunca se falou, pelo partido, no meu nome para vice do senador'', declarou Gleisi, para quem o desgaste público entre os dois partidos ainda pode ser revertido. ''Temos disposição de conversar com o PDT, mas não nas condições que o Osmar colocou. Consideramos o Senado importante.'' Sobre as colocações do pedetista, em entrevista de manhã, segundo as quais a presidente licenciada seria ''obediente'' ao que Lula pudesse manifestar, resumiu: ''Sou a pessoa mais disciplinada partidariamente, tanto que a minha candidatura ao Senado é partiária, não uma posição meramente pessoal'', afirmou.
'Resposta republicana'
Já Osmar, durante a visita à ExpoLondrina, voltou a manifestar que ''a conversa sobre a consolidação de uma aliança com o PT começou com o Lula e vai acabar com o Lula''. E ameaçou: se não houver a coalizão como desejada pelo PDT, o partido vai ''abrir caminho para outros partidos comporem a chapa''. O senador destacou que aguarda uma proposta ''civilizada, respeitosa, republicana e política'' do PT.
''Estamos conversando com todos os partidos, inclusive a própria Gleisi já declarou que irá obedecer as orientações do partido'', ressaltou o senador, reiterando que está disponível para conversar diretamente com o presidente Lula, ''que já manifestou a vontade de um palanque unido em apoio à Dilma no Paraná''. ''O PDT busca uma aliança para vencer, inclusive com compromisso com os partidos da base como PP, PPB e até PMDB'', disse.


