CASO AMA-COMURB Em Londrina, desvio já é de R$ 16 mi Fraudes revelam corrupção sem precedentes na segunda cidade do Estado Arquivo FolhaAlonso, ex-diretor da Comurb: desvios podem chegar a R$ 30 mi Da Redação Os escândalos na administração pública não poupam a terceira principal cidade do sul do País. A administração de Antonio Belinati (PFL) à frente da Prefeitura de Londrina é objeto de uma ampla investigação pelo Ministério Público. No mês passado ma Comissão Processante contra o prefeito não chegou a ser instalada na Câmara de Vereadores por força de uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado. As investigações começaram em fevereiro do ano passado, na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), para apurar indícios de superfaturamento em serviços de capina e roçagem. Mais tarde, o MP apurou também irregularidades em outros trabalhos, especialmente em licitações na modalidade carta-convite. Os trabalhos se estenderam em seguida para a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e há indícios do envolvimento de outras secretarias municipais. Atualmente os promotores responsáveis pelo trabalho, Bruno Galatti, Cláudio Esteves e Solange Vicentin, investigam irregularidades em aproximadamente 200 contratos licitatórios e já conseguiram comprovar desvios de R$ 16 milhões. Mas o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 30 milhões, segundo informou o ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb Eduardo Alonso, que já admitiu ter se beneficiado do esquema e afirma querer reparar seu erro. As investigações envolvem ex-secretários municipais, ex-diretores da AMA e Comurb, além de empresários de Londrina e Curitiba. De acordo com Eduardo Alonso, tido como um dos cabeças do esquema de corrupção, o prefeito seria o principal responsável pelas irregularidades e tinha conhecimento de todo o esquema. Alonso também acusa o ex-secretário de Governo Gino Azzolini Neto, de ser um dos responsáveis pelas irregularidades, tendo homologado e assinado as licitações irregulares. O prefeito nega as acusações e diz que vai aguardar o Ministério Público apontar os culpados, para que eles sejam punidos exemplarmente. Gino Azzolini Neto também rebate as acusações. Alonso já foi indiciado pelas polícias Federal e Civil por formação de quadrilha e outros crimes. Oficialmente, as investigações começaram no dia 19 de fevereiro do ano passado, quando a vereadora Elza Correia (PMDB), entregou à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público um ofício pedindo investigações sobre a terceirização dos serviços de capina e roçagem na AMA. Uma análise das planilhas mostrou que havia superfaturamento nos serviços de capina e roçagem executados pela Tâmara Serviços Técnicos, empresa do mesmo grupo da Principal Vigilância, que também prestava serviços ao município. Os valores investigados e as fraudes nos processos licitatórios revelam um esquema de corrupção sem precedentes na história de Londrina. Entidades de classe como Associação Comercial e Industrial, Ordem dos Advogados do Brasil, igrejas católica e evangélicas e maçonaria passaram a dar apoio às investigações e cobrar a punição dos culpados, numa organização intitulada Movimento pela Moralidade na Administração Pública. Um ano depois do início oficial das investigações, os procedimentos administrativos e inquéritos policiais instaurados pelo MP somam mais de 15 mil páginas e mais de 150 depoimentos. Os promotores investigam mais de 200 contratos e conseguiram obter a quebra do sigilo bancário de 150 contas. A Polícia Civil instaurou 10 inquéritos para investigar as denúncias de corrupção na AMA. As investigações envolvem as empresas Vêneto, Sistema, Londrina Areia, Gomes & Amâncio, Tâmara e Principal Vigilância. Três inquéritos sobre a compra de marmitex supostamente usadas na campanha eleitoral de 98, material de construção com notas frias e o pagamento de 1850 lixeiras que nunca foram entregues à autarquia também são alvo da Polícia. A Polícia Federal é outra que apura o uso de certidões falsas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) pelas empresas que venceram licitações fraudulentas na Comurb. Já a Câmara de Londrina só entrou nas investigações em outubro do ano passado, quando houve pressão da sociedade, através do Movimento pela Moralidade. Foram criadas duas comissões especiais de inquérito – uma para apurar irregularidades na AMA e na Comurb e outra para averiguar as demais secretarias. A prefeitura demorou ainda mais para agir. Somente no dia 23 de dezembro do ano passado, quando as investigações do Ministério Público já completavam dez meses, o prefeito determinou a instauração de uma comissão de sindicância para apurar as irregularidades. No mês passado, a Procuradoria-geral do município ingressou na Justiça com uma ação civil pública de ressarcimento contra 24 empresas, três ex-diretores da Comurb e da AMA e um funcionário público. A ação poupa ex-secretários de Belinati investigados pelo MP.