A administração de Londrina a partir de janeiro de 2001 estará nas mãos de um bancário, Nedson Micheleti (PT), 42 anos, ou de um jornalista, Homero Barbosa Neto (PDT), 34 anos. Em comum, os dois candidatos apresentam um perfil ideológico aparentemente semelhante, atuando em partidos que nasceram na luta pela redemocratização do País. Já as diferenças são muitas, evidenciadas durante campanha eleitoral.
O paranaense Nedson, nascido em Rolândia, chegou em Londrina há 19 anos e por muito pouco não se tornou padre. Foi seminarista, estudou Teologia e cursou Filosofia no Instituto Paulo VI, de Londrina. Também fez dois anos de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Atuou ainda nas pastorais da Juventude e Operária.
Em 1980 começou a vida profissional, contratado para trabalhar no extinto Banco Noroeste (hoje Santander). No ano seguinte, passou em um concurso da Caixa Econômica Federal, onde está vinculado até hoje. Foi secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Londrina e presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no norte do Paraná.
Nedson também foi um dos fundadores do PT em Londrina e hoje é presidente estadual do partido – se licenciou para disputar a prefeitura. Sua primeira eleição foi em 94, quando se elegeu deputado federal. Em 98, disputou nova eleição, desta vez para o Senado. Não foi eleito mas conseguiu quase um milhão de votos, firmando-se como liderança política no Estado.
Na atual eleição, Nedson começou de forma tímida, sem dinheiro e sem comícios. Nas primeiras pesquisas eleitorais, aparecia na última colocação, com menos de 5%. Na base da ‘‘sola do sapato’’, como diz, foi crescendo na preferência e se tornou a grande surpresa. Ganhou a eleição com 27,24% dos votos, desbancando o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), até então líder nas pesquisas. No segundo turno, ganhou o apoio de todos os derrotados: Hauly, Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e Farage Kouri (PFL).
Já Barbosa Neto é paulista de Santa Rita do Passa Quatro e chegou a Londrina há 17 anos, para cursar Comunicação Social (Jornalismo) na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Terminou o curso como primeiro da turma – como gosta de frisar – e ficou conhecido trabalhando em programas policiais de tevê – que exploram o chamado ‘‘mundo cão’’. Jovem e com perfil popular e assistencialista, ganhou até fã-clube.
Barbosa também nunca escondeu a origem humilde. Ao contrário: usou o fato como forma de reforçar a identificação com o público. Durante a campanha, também sempre fez questão de frisar que não está atrelado a nenhum grupo econômico ou político – mesmo tendo como vice Assad Jannani (PPB), irmão do deputado federal José Janene, presidente estadual do PPB e forte liderança regional.
Na política, a maior experiência até agora foi trabalhando para outros candidatos – apresentou comícios em 1994 para José Janene; em 1996 para Antonio Belinati (PFL); e em 1998 para o ex-patrão José Carlos Martinez (PTB).
Fã declarado do ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), Barbosa foi candidato pela primeira vez em 1998, pelo PPB, disputando uma vaga para deputado estadual – mas foi impugnado. Um dos líderes na época nas pesquisas eleitorais, ele atribuiu a cassação do registro à perseguição política.
Ao contrário de Nedson, Barbosa manteve este ano uma posição estável nas pesquisas eleitorais, sempre na faixa de 15% a 25%. Fazia uma média de três comícios por dia e acabou o primeiro turno praticamente empatado com o petista, com 27,14% dos votos.

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