Em Londrina, 40,9 mil pessoas recebiam o mínimo em 2000
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quinta-feira, 29 de abril de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitca (IBGE), Londrina tinha 40.929 pessoas ganhando até um salário mínimo em 2000. Dados mais recentes do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) indicam que em todo o Paraná havia 1,85 milhão de trabalhadores nessa categoria em 2002.
Os sindicatos, geralmente, estabelecem pisos salariais maiores que o valor do mínimo. Na Prefeitura, por exemplo, os funcionários celetistas (temporários) têm piso de R$ 396,56 e os estatutários (com estabilidade) recebem R$ 643, incluindo auxílio alimentação e abono. Entre os comerciários, o piso é de R$ 290 e os trabalhadores da construção civil recebem no mínimo R$ 1,67 por hora, o que soma R$ 367,40 para 220 horas mensais.
Uma das poucas categorias cujo salário baseado no mínimo é a de empregados domésticos. Liliane Borges Monteiro, 42 anos, trabalha em casa de família e tem dois filhos, um deles morando com ela. ''Eu acho que o governo deveria ter vergonha de dar um aumento desse. Como alguém pode viver com o salário mínimo? Só sendo artista'', desabafou. Ela gasta R$ 78 com a prestação da casa, localizada no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul), R$ 40 com a conta de energia e outros R$ 25 com água. Isso sem falar em gastos com alimentação, vestuário e transporte. ''Esse aumento nem vai alterar nada porque todas as coisas vão subir'', apontou Liliane. Para ela, o mínimo que uma pessoa deveria receber para viver seria R$ 500.
Noemi Gervásio, 41 anos, também trabalha em casa de família. Com seu salário ela mantém as contas da casa e das duas filhas de 5 e 12 anos. O marido faz ''bico'' e nem sempre consegue trabalho. ''Achei ruim esse aumento porque sobe R$ 20 e as coisas sobem R$ 40. Não compensa'', definiu. Ela disse que o salário mal paga as contas. ''Compramos só o básico e sempre falta alguma coisa. Quando meu marido está parado então, complica'', disse. Para ela, um salário justo chegaria a R$ 700. ''Do jeito que as coisas estão caras, só assim.''


