Em interrogatório, réus da operação ZR3 negam corrupção
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quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Guilherme Marconi - Grupo Folha 

Pela primeira vez diante do juiz da 2ª Vara Criminal, Délcio Miranda da Rocha, os treze réus da Operação ZR3 voltaram a negar a existência de uma organização criminosa a fim de exigir propina para aprovação de projetos de lei para mudança de zoneamento. O interrogatório durou cerca de seis horas. Com o término da audiência nessa quarta-feira (21), o processo penal caminha para o desfecho, faltando apenas alegações finais das defesas e do MP (Ministério Público) antes da promulgação da sentença em primeira instância.
Para os vereadores Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), o interrogatório serviu para demonstrar ao juiz que não havia irregularidades nas tratativas dos projetos de leis. Ambos são acusados pelo MP de liderar o suposto esquema dentro da Câmara Municipal de Londrina. "Já tivemos várias oportunidades de esclarecer aos promotores, na defesa prévia, no próprio processo político na Câmara, e agora, de que nem eu nem ninguém do meu gabinete pediu qualquer centavo de propina", disse Rony Alves, que está afastado do cargo desde janeiro de 2018. O ex-assessor dele, Evandir Aquino, foi um dos primeiros a depor.
Já Mario Takahashi - que conseguiu por meio de habeas corpus no TJ (Tribunal de Justiça) retomar seu mandato em maio -, disse que o interrogatório serviu para rebater uma interpretação equivocada feita sobre o trâmite no Legislativo. "Eles argumentaram que eu fazia reuniões para dar agilidade nesses processos e isso não procede. Eu mesmo retirei alguns projetos de pauta por pedido do Ippul, órgão de planejamento da Prefeitura." Questionado sobre o suposto pedido de propina de R$ 1 milhão feito pelo denunciante Junior Zampar, Takahashi também afirmou estar tranquilo porque o próprio primo do empresário, Carlos Zampar, teria negado na Justiça. Segundo ele, as versões apresentadas são contraditórias. "Nunca tive conversa de valores com ele, nem com o primo dele em 2013."
Também foram ouvidos os ex-integrantes do CMC (Conselho Municipal da Cidade) Luiz Guilherme Alho, Ignez Dequech e Cleuber Moraes Brito, que, segundo a denúncia, seriam a ponte entre os empresários e os agentes públicos para liberar estudos para viabilizar a mudança de zoneamento. Já o ex-diretor da área de liberação de loteamentos da Secretaria Municipal de Obras, Ossamu Kaminagakura, que foi demitido em setembro do ano passado, seria o responsável pelo esquema dentro da Prefeitura. Por último foram ouvidos os seis empresários acusados de corrupção ativa.
Alho, Kaminagarura e o empresário Vander Mendes chegaram a ser presos durante a investigação por conta de um cheque encontrado que seria a título de propina. Segundo o advogado de Mendes, Alfeu Brassaroto Junior, foi esclarecido na audiência que o cheque atribuído ao acusado era de um contrato firmado para prestações terceirizadas de consultoria fora do expediente da Prefeitura, o que não caracterizaria propina. A defesa de Kaminagura disse apenas que não houve crime. Para Rodrigo Antunes, que defende Cleuber Brito, ficou demonstrado que houve equívoco porque o empresário foi citado apenas por terceiros na denúncia, sem qualquer irregularidade na atuação dele no CMC. As defesas de Dequech e Alho não quiseram se pronunciar.
GAECO
Para o coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), o promotor Jorge Barreto da Costa, os interrogatórios não trouxeram surpresa com as negativas dos ilícitos. "O Ministério Público entende que o que foi colocado na denúncia foi sim comprovado. Ou seja, que efetivamente os agentes públicos praticaram os crimes de corrupção. Mesmo com as negativos, foi possível demonstrar que foi produzido, os laudos periciais, os depoimentos das testemunhas demonstram que o que foi apresentado na denúncia foi confirmado."


