Em interrogatório, Pedro Corrêa tenta eximir filhos de culpa
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Em interrogatório realizado na tarde de ontem, na Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, o ex-deputado federal Pedro Corrêa (afastado do PP-PE), e que foi líder do partido na Câmara até o ano de 2005 quando teve o mandato cassado, tentou eximir seus filhos, sua nora e seu ex-assessor parlamentar, que também são réus no processo que apura crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, de qualquer responsabilidade sobre as acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF).
Questionado pelo juiz Sérgio Moro, que está à frente das ações penais oriundas da Lava Jato na primeira instância, se ele ficaria em silêncio ou iria responder às perguntas, o ex-parlamentar apenas frisou que queria se manifestar. A partir daí, destacou que, apesar de não estar confessando qualquer um dos crimes que lhe são imputados, ele assume a responsabilidade sobre os fatos abordados na denúncia.
"Queria dizer que estou sendo acusado com outras pessoas e gostaria de dizer que estas outras pessoas não têm responsabilidade sobre os fatos, eu assumo toda a responsabilidade. Meu filho Fábio Corrêa, réu no processo; Aline Corrêa (filha); Márcia Danzi Corrêa (nora), e o réu Ivan Vernon (ex-assessor); eles apenas cumpriam as determinações que eu mandava. Eu que era a pessoa que tratava dos assuntos, sobretudo sobre as imputações que estão sendo feitas a mim no processo, inclusive sobre citações feitas a Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef", ressaltou.
Surpreso pela declaração, o magistrado indagou o réu se ele estaria confessando. "Estou assumindo a responsabilidade de que os outros réus não tem nada a ver com isso", respondeu o ex-deputado. Moro insistiu na pergunta: "Mas você está assumindo a responsabilidade dos fatos?".
Corrêa ressaltou que estava assumindo a responsabilidade, mas que aquilo não era uma confissão. "Não estou dizendo que eu cometi os crimes, mas estou dizendo que eles (os réus) não participaram dos fatos. Vou me defender, agora eles não têm participação nisso, a participação é única e exclusiva minha. Se Fábio recebeu dinheiro foi a meu mando, se depositou algum dinheiro em conta de algum funcionário ou de outros meus filhos ou de minha nora fui eu que mandei. Se ficar provado que eu fiz alguma coisa foi só eu que fiz e não eles", destacou, antes de ficar em silêncio e não responder mais perguntas.
Na denúncia, os procuradores afirmam que o ex-deputado recebeu R$ 40,7 milhões de propina por empreiteiras que tinham contrato com a Petrobras entre os anos de 2004 e 2014. A investigação aponta que, para "blindar" o dinheiro, Corrêa utilizou-se do auxílio de seu filho, Fábio Corrêa; de sua filha, a ex-deputada Aline Corrêa (PP-SP); de sua nora, Márcia Danzi; e de seu ex-assessor, Ivan Vernon Gomes Jr.; no esquema. Todos eles também foram ouvidos ontem, mas negaram as acusações. O doleiro Alberto Youssef e Rafael Ângulo Lopez, que também são réus na ação penal, foram ouvidos na segunda-feira. Esta fase de interrogatórios é anterior às diligências complementares e as alegações finais da acusação e das defesas, último passo antes da sentença.


