Curitiba Em Guaratuba, o prefeito José Ananias dos Santos (PMDB) não foi o único a ser afastado do cargo. Atendendo a uma solicitação do promotor do município, Lucílio de Held, três secretários municipais e nove vereadores também foram afastados pela Justiça, por suposta conivência com irregularidades cometidas na administração municipal.
Santos foi afastado em dezembro, acusado de ter contratado sem licitação uma empresa de lavagem de veículos que seria de propriedade de parentes da secretária municipal de Educação, Maria Bevervanço. Segundo Held, durante a fase de investigação a prefeitura não teria enviado documentos solicitados, o que motivou o pedido de afastamento do prefeito, de Maria Bevervanço e dos secretários da Fazenda, Joel Machado, e de Obras, Artur Magalhães Neto.
Na semana passada, também foi julgado o afastamento de nove vereadores. Em dezembro, após o afastamento de Ananias, eles suprimiram um artigo da Lei Orgânica do município que impedia a contratação de empresas de parentes de servidores públicos. ''O artigo era muito severo. Ele previa que durante cinco anos parentes até o terceiro grau de servidores municipais não poderiam realizar contratos com a prefeitura. Em um município pequeno, onde todos praticamente são parentes, fica inviável a aplicação da lei'', argumentou o vereador Mordecai Magalhães de Oliveira (PMDB).
Por conta das denúncias, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) instalou uma auditoria e, no dia 20 de dezembro, os conselheiros sugeriram intervenção em Guaratuba. Nesse caso, o afastamento de Ananias seria definitivo e um interventor seria escolhido pelo governador Roberto Requião (PMDB). No relatório, o TCE aponta que a irregularidade mais grave seria a falta de repasse de verbas para a educação previstas em lei.
O prefeito afastado tem o direito de apresentar sua defesa nos próximos 15 dias. ''Acho estranho, porque quando deixei a prefeitura, tinhamos investido 29% em educação, 4% a mais que o previsto por lei. Tenho que destrinchar o relatório do TCE para ver o motivo da divergência. Quanto à contratação da empresa de lavagem de veículos, paguei pelos serviços prestados, ou seja, não teve desvio de verbas. Pode até causar um problema administrativo, mas não cometi nenhum crime'', alegou.

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