Dois secretários da Prefeitura de Guarapuava estão entre os cinco foragidos com prisão temporária expedida a favor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público do Estado, devido à suspeita de irregularidades em licitações promovidas pela administração municipal.
A Operação Salvação, que teve apoio das polícias Civil e Militar, efetuou dois dos sete mandados de prisão temporária e cumpriu 28 mandados de busca e apreensão em setores da prefeitura, empresas e residências.
O Gaeco investiga suspeitas de irregularidades em licitações, peculato e falsificação documental há cerca de quatro meses.
Entre os suspeitos estão os secretários de Educação e Cultura, Sandra Zanete, e de Obras, Serviços Urbanos e Trânsito, Edison José Sanches Filho. Também têm mandados de prisão expedidos o diretor do Departamentos de Licitação; o gerente de Licitações e Contratos; um servidor do Departamento de Compras; e dois empresários do ramo da construção, que estão detidos.
Entretanto, de acordo com o coordenador do Gaeco no Paraná, Leonir Batisti, não existe nada que indique envolvimento do prefeito Cesar Silvestri Filho (PPS) nos atos. "Parece uma situação que partia dos próprios setores", afirma.
Os cinco servidores municipais também foram afastados de suas funções por medida judicial solicitada pelo Ministério Público, além de outros dois funcionários. Os nomes não foram revelados.
De acordo com o procurador de Justiça, há dois casos em específico que embasam a investigação. A primeira delas refere-se ao palco em que foi encenada a Paixão de Cristo na cidade, durante a Semana Santa. De acordo com Batisti, o trabalho foi realizado, em sua maior parte, por funcionários da prefeitura e a contratação de uma empreiteira foi "legalizada" com uma tomada de preços feita semanas após o evento. "O certo é que não houve competição (para contratação da empresa)", diz ele.
O segundo caso refere-se a uma suposta combinação entre várias empresas para dividir serviços de conservação, reforma e manutenção de prédios públicos.
De acordo com o procurador, o Ministério Público vai investigar o motivo pelo qual nenhum dos funcionários com mandado de prisão foi trabalhar ontem. "Ontem (anteontem) à noite já se tinha notícia de que sabiam da ordem judicial", diz Batisti.
Os documentos e computadores apreendidos servirão para dar mais embasamento à investigação e analisar se há outras situações similares. O procurador diz que ainda não foi levantado o valor em que os cofres públicos teriam sido lesados, o que também será identificado pela perícia.
O procurador jurídico da Prefeitura de Guarapuava, Fábio Decker, não atendeu às ligações feitas em seu celular e nem retornou o recado deixado no seu gabinete.

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