O Ministério Público do Paraná (MP), por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, ofereceu denúncia contra o prefeito de Guaraci Nelson Alexandre (PSDB) e o filho dele, o secretário de Administração da prefeitura, Nilson Alexandre. Eles são acusados de crime de responsabilidade. De acordo com a denúncia, os dois se apropriaram indevidamente de recursos públicos ao depositar nas próprias contas dinheiro do município.
A denúncia está sendo analisada pelo Tribunal de Justiça (TJ) e também pela Câmara de Vereadores. O Legislativo instaurou uma Comissão Processante (CP) em fevereiro. Mas o prefeito conseguiu barrar os trabalhos da comissão na Justiça. Esta semana, o juiz de Astorga, Ricardo Mitsuo Abe, que havia concedido liminar suspendendo a CP, reformou sua decisão. Ele revogou a liminar e negou mandado de segurança ao prefeito, o que, na prática, retoma as investigações.
A decisão foi comemorada pela Câmara. ‘‘Estamos reiniciando os trabalhos imediatamente’’, informou o advogado do Legislativo, Cláudio Paviani. Ele disse que o prefeito será notificado para apresentar sua defesa. ‘‘Se depois de três tentativas não conseguirmos, vamos intimá-lo pela imprensa’’, explicou o advogado. A denúncia foi feita pelo empresário Marcel Bertin.
É a segunda vez que o Legislativo tenta investigar o prefeito. No ano passado, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) averiguou as mesmas denúncias. A CEI recomendou o afastamento do prefeito do cargo, mas seriam necessários dois terços dos votos – foram quatro a favor e cinco contra.
O presidente da Câmara, James Amadeu (PFL), estima que o rombo provocado nos cofres públicos com os desvios efetuados pelo prefeito e seu filho chegam a R$ 90 mil – quase equivalente a uma folha de pagamento do município, que é de R$ 100 mil.
O Ministério Público relacionou números de cheques do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que teriam sidos depositados na conta pessoal do prefeito.
Ainda de acordo com o MP, entre os meses de fevereiro e agosto de 98, o prefeito ‘‘beneficiou-se dolosamente, concorrendo para a ilegalidade, autorizando adiantamento salarial’’. A promotoria revela que o total de adiantamentos foi de R$ 2,9 mil, enquanto o valor lançado na contabilidade foi de R$ 1,7 mil. ‘‘O prefeito percebeu, mensalmente, parcelas expressivas – senão a totalidade – de seu salário, mediante adiantamento – enquanto os subsídios dos vereadores e a remuneração dos servidores encontravam-se em atraso por varios meses’’, informou o MP.
O prefeito foi procurado várias vezes pela Folha, mas não retornou as ligações. O filho dele disse à reportagem que não iria se manifestar.

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