Em um de seus últimos dias como vereador em Londrina, Jamil Janene (PP) protagonizou episódio lamentável na sessão da Câmara de ontem, a penúltima do mandato, despertando a ira dos colegas e levando à suspensão dos trabalhos. Após ser criticado pelos pares por ter feito acusação injusta, precisou ser contido fisicamente – o vereador Emanoel Gomes o segurava para impedir que ele atrapalhasse o pronunciamento de Elza Correia (sem partido).

O tumulto ocorreu na discussão do orçamento para 2017, sendo que Janene, como presidente da Comissão de Finanças e opositor do governo de Alexandre Kireeff (PSD), defendia aprovação de emendas que retiravam mais de R$ 10 milhões do passe livre para transferir a outros setores.

Ao usar a palava, disse que estava sendo distribuída "uma colinha", referindo-se a um papel no qual constava a forma como o líder do prefeito, Junior Santos Rosa (PSC), votaria em cada uma das 15 emendas ao orçamento. "Eu não recebi a colinha. Veio uma colinha lá da prefeitura para dizer como votar as emendas... Vereador Júnior dos Santos Rosa, me falaram que você que distribuiu..."

Imediatamente, Santos Rosa explicou que, obviamente, como líder, iria indicar a forma de voto para todas as emendas antes da votação de cada uma delas, o que é praxe no Legislativo. "Vou indicar o voto. Mas esta Casa é madura. Ninguém é obrigado a votar com o governo, como nunca foi nos quatro anos... Agora, no último dia querer falar que a colinha está fazendo os vereadores votarem é falta de respeito."

Rony Alves (PTB) ficou furioso com as insinuações de Janene, já que ele pediu ao líder uma cópia da colinha e esbravejou: "Eu pedi a colinha, para meu conhecimento. Mas voto como eu quiser. Ninguém manda em mim. Dizer isso é uma falta de respeito", criticou em tom elevado. E prosseguiu: "Estou recebendo algum dinheiro para votar desse jeito? Alguém pode apontar alguma irregularidade em eu pedir para o vereador Junior o papel para votar?".

Elza Correia (sem partido), que ao longo dos quatro anos protagonizou inúmeras discussões com Janene, também criticou abertamente o comportamento do pepista. "Eu estou perplexa. Desde o início desta sessão o vereador Jamil Janene não tem se comportado adequadamente como vereador; tem ofendido vereadores, tem saído mostrando papelzinho para os vistantes, dizendo que estamos votando com colinha; (fica) o tempo todo cochichando, ofendendo, tentando desmoralizar a gente, destemperadamente."

Enquanto Elza falava, foi interrompida inúmeras vezes por Janene, que gritava, mesmo com o microfone desligado. O vereador Emanoel Gomes precisou conter o colega. O presidente da Câmara, Fabio Testa (PPS), diante da agitação do pepista, suspendeu a sessão, que foi retomada 15 minutos depois, com ânimos mais calmos.

No retorno aos trabalhos, até o calmo e calado vereador Roberto Kanashiro (PSDB) manifestou sua reprovação ao comportamento do pepista, afirmando que se não fosse final de mandato estaria disposto a renunciar ao cargo de presidente da Comissão de Ética para formular denúncia contra Janene por quebra de decoro parlamentar.

Após a aprovação do projeto do orçamento, Janene justificou o voto e o episódio: "O episódio que aconteceu aqui hoje, eu não me arrependo porque lutei por uma causa, umas emendas e um projeto que atende o povo de Londrina". (L.C.)

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