Brasília - Os presidentes da Câmara e do Senado aproveitaram a primeira visita oficial de praxe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem, para levar as queixas do Congresso ao excesso de Medidas Provisórias (MPs). Primeiro a ser recebido por Lula, ainda de manhã, o senador José Sarney (PMDB-AP), avisou ao presidente que fora eleito com o compromisso de pôr em votação as reformas política e tributária e de dar uma solução ao problema das MPs. ''É inaceitável que a questão das MPs continue da maneira em que está'', disse Sarney ao presidente, segundo relato do próprio senador.
Também foi este o tema central da conversa do presidente da Câmara com Lula no final da tarde. Temer, que na véspera anunciara sua disposição de limitar a ''três ou quatro'' os assuntos que o governo pode tratar por MP, disse a Lula que levará a seu conhecimento a sugestão do Câmara para ''amenizar'' a edição das medidas.
''Reiterei que o ideal é que conversássemos sempre antes (da edição de MP) sobre o conteúdo'', contou Temer, para quem, em muitos casos, o presidente pode negociar a votação de um projeto de lei em regime de urgência urgentíssima no Congresso, e assim evitar o excesso de Medidas Provisórias que trancam a pauta de votações do Legislativo.
Amigo pessoal e aliado de primeira hora do governo Lula no PMDB, Sarney relatou que o presidente concordou com sua ponderação, reconhecendo que há exagero e que é preciso encontrar uma solução. O senador disse a Lula que cabe ao Congresso encontrar a saída e que estará empenhado na relação harmoniosa com o Executivo.
Em seguida, lembrou que sua eleição para a presidência do Senado na segunda-feira, dia 2, foi fruto de uma disputa, vencida por ele com o apoio da oposição. ''Minha autonomia (como presidente do Congresso) terá que ser exercida. Nós separamos o que é relação pessoal e o que é relação institucional'', encerrou.
''Vou estimular uma proposta de emenda constitucional que diminua o campo material de incidência da medida provisória'', disse Temer, em entrevista ontem. ''Se conseguirmos reservar o espaço das MPs a três ou quatro matérias de fundamental importância para o País faremos um grande serviço'', completou. ''Não é uma promessa, mas um convite: lutarmos com todas as forças para vencer o que ficou descompassado no ambiente brasileiro, a regularização das medidas provisórias'', afirmou Sarney, em discurso após a posse.

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