FOLHA – Por que o senhor decidiu se candidatar ao governo do Paraná?

Geonísio – O PRTB resolveu lançar candidatura porque entendeu que o movimento é esse. Está havendo muita gente na rua gritando, pedindo por soluções de temas até de nível federal. E nós do PRTB sentimos essa onda e resolvemos nos candidatar. Hoje, tempo de televisão não é assim tão mais importante que as redes sociais. Você tem oportunidade de colocar um discurso propositivo, como a maioria das pessoas tem nos pedido, você poder embarcar numa onda e essa onda ser a onda da mudança... Então, nós achamos que, apesar de sermos pequenos, temos chance de vencer. Essa minha candidatura é para provar para os meus filhos, para a minha família, para os meus netos, para os meus amigos, que qualquer pessoa bem intencionada, de princípios, de boa formação – sou filho de professor -, pode e deve colocar o seu nome à disposição. Pois não é só rico, não é só aquelas figurinhas carimbadas que os partidos grandes indicam, porque eles têm o controle dos grandes partidos e esses grandes partidos indicam pessoas já há 20, há 30 anos na política. É possível se fazer. Sou formado, tenho curso superior, conheço profundamente como é o serviço público. Quero dizer para o cidadão do Estado do Paraná que Geonísio Marinho não é uma aventura. Quero que vocês olhem e vejam quem é que está falando com o coração, que não está prometendo nada, não tem uma varinha de condão, mas sabe muito bem administrar as necessidades, pois eu venho de baixo, chego no dia 20, eu não sei se consigo chegar no dia 30 com o que ganho. É pouco. Então, eu não tenho sobras de dinheiro. O meu partido não tem dinheiro. Nós estamos fazendo uma campanha propositiva, mostrando que nós somos do bem. Somos de direita.


Alguns partidos menores lançam candidaturas com o objetivo de eleger deputados, outros para marcar posições ideológicas. Quais são exatamente as ambições do PRTB e as suas, especialmente, nessas eleições?


O tempo de televisão e de rádio é contado na quantidade de deputados federais que o partido elege. Então, os demais Estados estão até um pouco melhor que o Paraná em questões de chapas proporcionais. Devemos eleger uma bancada de dez a 15 deputados federais. No Paraná, com essa minha candidatura, nós entendemos que podemos até mesmo puxar um dos nossos para essa cadeira na Câmara Federal. Espero fazer uma votação boa, em nível de legenda.


Em 2008, o PRTB esteve diretamente envolvido em denúncias de infidelidade partidária e Caixa 2, por conta da reeleição do então prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). O senhor fazia parte do partido na época?

Não, eu não participei. Estou envolvido com o partido desde 2011 e mas filiado apenas a partir do ano passado. Eu assumi a presidência do PRTB no dia 15 de janeiro deste ano. Foi um negócio que ficou muito mal visto, mas conseguimos nos isentar e nos inocentar, porque nós fomos usados. Nós estamos desta forma querendo recuperar a imagem que o partido sempre teve: é um partido sério, que tem proposto uma série de medidas a nível federal que estão sendo copiadas. O maior caso disto tudo é o aerotrem. Nosso presidente Levy Fidelix tem falado há muitos anos sobre o aerotrem. Ele trafega perto dos 800 quilômetros por hora. E o copo de água balança. Coisa de futuro. Essa ideia foi nossa, foi uma coisa visionária na época em que Levy Fidelix falava e hoje é algo que está sendo construído, embora com atraso, mas é uma ideia do nosso PRTB. Então apesar de sermos um partido dito pequeno, nós temos grandes ideias e queremos trazer para o Estado do Paraná a semente de um aerotrem Curitiba – Foz do Iguaçu e Londrina – Maringá, que desafogaria e muito esse trânsito caótico. Uma outra ideia que a gente teve também e que é digna de registro é com relação ao Ministério das Calamidades Públicas. Aqui perto, em Morretes, há cinco anos, nós tivemos uma enchente muito grande e muitas daquelas pessoas que perderam as suas casas não recuperaram ainda, porque o Estado é engessado, não consegue intervir na ajuda de quem precisa de uma forma rápida e eficiente, porque ele tem de obedecer a tal famosa lei de compras, de licitações, que é a 8.666, né?

‘Em determinadas áreas, o governo deve ficar de fora’
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Algo que se discute muito, tanto no Congresso como aqui, é a governabilidade. Um partido isolado, sem coligação, conseguiria implementar suas propostas?

São 54 deputados estaduais. Nós devemos eleger, se muito, um deputado estadual. E saberemos administrar colocando na mesa dos deputados que se elegerem que o Estado está acima do interesse pessoal. Não é fácil. A gente sabe que terá que fazer algumas concessões para alguns partidos políticos, para que nos deem a garantia de governabilidade na Assembleia Legislativa. Embora isso seja algo desgastante, nós acreditamos que essa nova bancada, olhando para trás e vendo o que as ruas disseram, estarão colocando o interesse coletivo das grandes massas na frente dos seus interesses pessoais.


Em seu plano de governo protocolado junto ao TRE, o senhor propõe a privatização de todos os presídios estaduais, através de concessão pública, para "garantir melhores condições humanas dos detentos". Poderia nos explicar essa proposta?

Eu me entendo como um candidato, e o meu partido também é, de direita. Nós entendemos que em determinadas áreas o governo deve estar fora, porque ele tem pouca capacidade de investimento. Então, repassar para a iniciativa privada significaria construção de novos presídios, presídios mais seguros, com ensino a distância, para que o detento possa aprender de fato coisas novas, coisas que ele possa praticar quando sair dali. E o ensino a distância chega nos quatro cantos deste planeta e por que não dentro de uma penitenciária? Se então houvesse uma fuga, um delito, quem vai pagar isso é a empresa que está administrando os presídios. Não teríamos problemas também com agentes penitenciários, que são pessoas falíveis, são pessoas boas, trabalhadoras, mas que podem também serem seduzidas, porque tem também gente presa com muito dinheiro, que pode mudar a cabeça de quem deve cuidar e não está cuidando.


O senhor fala que o PRTB é o único partido de direita. Não há outros?

Somos um partido de direita. O nosso lema é "endireita Brasil" e aqui é "endireita Paraná". Somos um partido que assume algumas questões polêmicas. Uma delas é a prisão perpétua para crimes hediondos, inclusive para colarinho branco. Eu acho que quem tem que pagar é aquele que teve a oportunidade ao contraditório, à ampla defesa, e não conseguiu provar que é inocente. Em sendo condenado, tem de ficar na cadeia até o fim.


O senhor foi vaiado durante uma sabatina na PUC, em Curitiba, por se posicionar contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mantém essa opinião?

É bom que você tenha perguntado. No momento da exposição eu coloquei que eu era do tempo em que fumar era bonito e ser homossexual era feio. Hoje banalizou-se. Tenho amigos muito bons, amigos que têm essa preferência de gênero. Eu não tenho nada contra, o Geonísio Marinho não discrimina ninguém. A minha cabeça faz uma confusão muito grande, da forma como eu fui criado. Eu não consigo absorver essa banalidade que se vê hoje nas novelas, nas ruas. Tem a sua preferência? Então que faça em casa. Eu acho até feio casais hétero estarem se excedendo na rua. Então imagine para uma criança ver homem com homem se beijando, mulher com mulher se beijando na rua. Para que isso? Quer, então, fazer? Que faça em casa, porque nós vamos acabar mostrando um mau exemplo e vão achar no futuro que isso é algo normal. Não é normal. A família foi feita para se ter um homem e uma mulher. Se por força de lei eu for obrigado a ceder em alguns dos meus conceitos, o farei por força de lei, mas o meu conceito pessoal de família não vai mudar jamais.


O senhor também propõe criar, através de PPP, Escolas de Escotismo para a prática de "cidadania e bons costumes". Como seriam essas unidades?


Eu fui com 12 anos colocado como escoteiro pelo meu pai. A escola de escoteiro funcionava dentro do Colégio Estadual do Paraná, uma estrutura estadual que fica fechada aos finais de semana. Ali aprendi boas ações, respeito às pessoas mais velhas, aprendi a praticar todos os dias cuidados com o meio ambiente. Hoje reciclo todo o lixo. A estrutura física das escolas estaduais fica fechada durante os finais de semana. O escoteiro funciona somente nos finais de semana. Então por que não uma parceira com a União dos Escoteiros do Brasil para abrirmos grupos de escoteiro em todas as escolas? Você acaba criando uma futura geração calcada em bons valores. Hoje, como está, eu não vejo solução a curto prazo. E não demanda nenhum tipo de investimento físico, construções. São grupos de meninos e meninas dentro dos próprios colégios estaduais. Aquele que tivesse vontade poderia praticar hoje com muito mais gosto do que foi na minha época. Na minha época eu passava muita vergonha, de andar de calça curta. Hoje andar de calça curta, mostrando a cueca, parece que é algo normal, não é?


E a instituição do "bolsa talento", para premiar alunos com médias 20% acima?

O meu pai, quando eu estava estudando, abriu para mim uma caderneta de poupança, uma caderneta vermelhinha assim, e eu só pude mexer naquele dinheiro com 18 anos. É uma proposta que estou fazendo para que alunos que tiveram uma média em até 20% (superior) da média natural para se passar de ano tenham esse aporte numa caderneta de poupança em nome deles para ser retirado com apenas 18 anos. (O estudante) poderá chegar neste momento, formado, precisando deste dinheiro, e estará lá disponível como ficou para mim, também. Então, o aluno vai ter que se esforçar um pouquinho mais, porque simplesmente aquela média 6 não basta. É uma forma de fazer o estudante entender que vale a pena estudar. Além de se qualificar também tem uma premiação.