Curitiba - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), aproveitou ontem a agenda ao lado da candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), em Curitiba, para se reunir com correligionários no diretório estadual do partido. Acompanhado do senador Roberto Requião (PMDB) e de integrantes da chamada "ala requianista" da legenda, ele falou que pretende estabelecer, após as eleições, uma "unidade absoluta" do PMDB. "Se você tem no plano nacional uma determinada posição, essa posição há de ser seguida nos Estados", afirmou.
Questionado durante coletiva de imprensa se estava sugerindo a saída de membros "dissidentes", ele argumentou que "não se pode ter um partido político com 30 correntes". "Se houver 30 correntes, quem não estiver de acordo que saia do partido e vá para a corrente que o satisfaça", acrescentou, sem citar nomes.
O vice-presidente também rebateu as declarações do líder da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de que não haveria dificuldade nenhuma de o PMDB apoiar um futuro governo Aécio Neves (PSDB). O deputado chegou a sugerir a saída de Temer da presidência da sigla, em caso de vitória tucana. "Ele exagerou, né? Agora, evidentemente, eu estou há 33 anos e ele tem bem menos tempo no partido".
Temer disse, ainda, que vê "com maus olhos" a situação da legenda no Paraná. O PMDB estadual segue rachado desde antes da convenção que deu a Requião o direito de concorrer ao Palácio Iguaçu. Havia uma ala, formada pela maioria dos deputados estaduais, que apoiava a coligação com o governador reeleito Beto Richa (PSDB). Mesmo perdendo o embate interno, muitos parlamentares seguiram apoiando o tucano. O ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) chegou a gravar um depoimento criticando Requião, que foi ao ar no programa eleitoral de Beto.
"Mas eu compreendo, porque na verdade o que tem acontecido no PMDB é essa, digamos assim, tolerância, ao longo do tempo, com esses movimentos divergentes", afirmou Temer. De acordo com ele, a unificação será importante também para garantir que a legenda tenha condições de disputar a Presidência em 2018.
Na Assembleia Legislativa do Paraná, o partido reduziu de 13 para oito o número de representantes. Destes, cinco já adiantaram que seguirão na base de apoio ao governo estadual. Segundo Requião, caso eles persistam com essa posição, devem ser expulsos do PMDB. "Vão perder o mandato. Os suplentes que se preparem", disparou. (M.F.R.)

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