Em Curitiba, estouro de caixa
O último ano de mandato dos vereadores de Curitiba, no período 93-96, foi marcado por um estouro considerável de caixa. A Câmara gastou R$ 10 milhões a mais do que tinha reservado para seu orçamento: R$ 41,03 milhões, quando deveria ter parado nos R$ 31,5 milhões.
Para se livrar de furos de caixa como o do ano passado, os 70% de vereadores reeleitos definiram para 97 um volume orçamentário mais generoso: R$ 39,8 milhões. O valor corresponde a 3,26% do orçamento global da prefeitura, que em 97 vai bater em R$ 1,2 bilhão. Os 35 vereadores - dois a mais do que os eleitos em 92 - continuam percebendo salários brutos de R$ 4,5 mil e uma verba adicional de R$ 1,5 mil - de que poucos abrem mão - para assistência social, dois carros por gabinete e cargos cobiçáveis.
Os salários estão congelados há dois anos e oito meses, ressalta o novo presidente da Câmara, João Cláudio Derosso (PDT), que já não sonha com a informatização da Casa neste ano - como prometeu em campanha pelo cargo -, por não haver reserva de caixa para a modernização. Derosso só promete fechar a mão na condução da Câmara. O dinheiro público tem de ser administrado como se fosse pessoal e não como se fosse o caixa da empresa da sogra, filosofa.
Janeiro já pegou a Câmara com caixa vazio. A arrecadação fraca do mês levou a Prefeitura de Curitiba a liberar apenas R$ 400 mil, dos R$ 1,8 milhão previstos. O jeito foi atrasar pagamentos de fornecedores e se livrar da chiadeira dos 500 funcionários por atrasos de salários.
O prefeito Cássio Taniguchi assumiu com a garantia de 21 vereadores aliados e já conquistou agregados, mas Derosso afirma ser mentira que a Câmara não vai passar de mais uma secretaria municipal. Vamos nos pautar pelo diálogo com o prefeito, anuncia. Quando o projeto for bom para a cidade, terá 35 vereadores favoráveis, quando houver polêmica, abrimos discussão para buscar consenso.
No lado da oposição, o estreante Gustavo Fruet (PMDB) promete se especializar em questões financeiras da prefeitura. E já sai cobrando densidade de informações históricas e sobre aplicações de recursos nas duas páginas que a prefeitura mantém na Internet. Hoje o que está lá são mensagens de ex-prefeitos exaltando suas obras e dados sobre a cidade que omitem parte da história, critica.
Detentor do voto do próprio Taniguchi para vereador, o novato Rui Hara (PDT) garante que não vai se voltar apenas à colônia japonesa. De urgente, quer a reativação de postos de sáude fechados. Hara não nega, porém, a disposição de se transformar no braço direito do prefeito na Câmara. (M.T)





