Em Curitiba, Doria ataca Lula e Bolsonaro e se coloca na "melhor via"

No PR, onde será homenageado pelos esforços em prol da vacinação contra a Covid, o governador tucano falou à FOLHA: ` Em 2018 nós erramos, colocamos um remédio errado para combater a corrupção e hoje temos um governo ineficiente´

José Marcos Lopes/Especial para a Folha
José Marcos Lopes/Especial para a Folha

 

O governador de São Paulo, João Doria: "O Brasil não pode ficar conflagrado entre o partido do Lula e os ‘bolsominions’. Precisamos de paz e equilíbrio”
O governador de São Paulo, João Doria: "O Brasil não pode ficar conflagrado entre o partido do Lula e os ‘bolsominions’. Precisamos de paz e equilíbrio” | Cassiano Rosario/FuturaPress/Folhapress
 


O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), aposta que o PSDB será o aglutinador da chamada “terceira via” contra as candidaturas do atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-presidente Luíz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2022.


Doria está em Curitiba, onde recebe, neste sábado (14), do prefeito da capital, Rafael Greca (DEM), uma condecoração pelos esforços em prol da vacinação. Na sexta-feira (13), ele esteve reunido com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e lideranças tucanas no estado. 


“O PSDB pode e será o aglutinador da melhor via, porque tem condições para isso e exemplos positivos de gestão. Em 2018 nós erramos, colocamos um remédio errado para combater a corrupção e hoje temos um governo ineficiente”, disse Doria.


Segundo o tucano, muitas das forças que apoiaram a eleição de Bolsonaro em 2018 podem fazer parte de uma futura coligação. “Em 2022 haverá esse terceiro campo, com uma visão liberal, moderna e socialmente correta, que vai defender os mais pobres e também o crescimento econômico, com captação de investimentos. O Brasil não pode ficar conflagrado entre o partido do Lula e os ‘bolsominions’. Precisamos de paz e equilíbrio”.


Doria é um dos quatro nomes do PSDB na briga para disputar a presidência em 2022, ao lado do senador Tasso Jereissati (CE), do ex-senador e ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio (AM) e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. As prévias do partido serão no dia 21 de novembro. “São quatro candidatos que fortalecem o debate em torno do Brasil e de um governo mais focado na gestão e menos na confusão”, afirmou o tucano. 


As linhas centrais do PSDB em 2022 deverão ser saúde, emprego e educação, de acordo com Doria. “Temos o exemplo da gestão. Em São Paulo fizemos a opção pela ciência e pela vida, investimos em educação integral e geramos 487 mil empregos no primeiro semestre. Precisamos de um projeto com uma visão social correta para os mais pobres e com uma visão econômica para retomar empregos”.


A CPI da Covid no Senado, avalia o governador, tende a desgastar ainda mais a imagem de Bolsonaro. “A CPI vai produzir um relatório bastante consistente. A meu ver, o relatório será fulminante em relação ao governo e aos negacionistas". Para Doria, esses efeitos deverão ser mais sentidos a partir do próximo ano. “A partir de janeiro teremos a população mais atenta em relação à eleição. Nesse momento as preocupações são com a vacina e o emprego”.

Lula

Doria disse que vê “com respeito” as pesquisas que indicam a liderança do ex-presidente Lula na corrida presidencial. “Respeito, mas tenho discordâncias enormes com o ex-presidente. Para mim, os fins não justificam os meios, nem mesmo em nome dos mais pobres”, disse. “E o atual presidente se mostrou incompetente, seu negacionimo contribuiu para muitas mortes na pandemia”.


Em uma eventual polarização com Lula no próximo ano, o tucano disse não temer que seu apoio a Bolsonaro em 2018 possa influenciar negativamente. Para ele, a vitória sobre Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo, em 2016, coloca sua imagem como um antagonista do PT. “Ele (Lula) vai lembrar que fui seu antagonista. Em 2016 eu fui eleito prefeito de São Paulo, democraticamente, contra o Lula, a Dilma (Rousseff) e o (Haddad) no primeiro turno".


O governador de São Paulo atribuiu à “falta de capacidade de articulação política” do governo Bolsonaro a aprovação da PEC da reforma política, que considera insatisfatória, em primeiro turno na Câmara dos Deputados, nesta semana. “Esse é um governo sem força e sem credibilidade, não tem força para aprovar reformas. É um governo que acabou muito antes de sua conclusão”, afirmou. “As reformas são incompletas, o governo Bolsonaro não tem apoio popular nem capacidade de articular mudanças”.

Neste sábado,  Doria recebe  a Ordem Municipal da Luz dos Pinhais de Curitiba, maior condecoração da capital paranaense, criada em 2018. 


Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito
Assine e navegue sem anúncios [+]

Últimas notícias

Continue lendo