Em Curitiba, candidatos poupam críticas
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sexta-feira, 01 de outubro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O último debate televisionado entre os candidatos a prefeito de Curitiba refletiu o clima da campanha até agora. Sem conseguir empolgar os eleitores, nenhum candidato arriscou-se a desafiar seus adversários ou dizer algo que não tivesse sido repetido à exaustão durante o horário eleitoral gratuito. O debate foi realizado pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), afiliada da Rede Globo no Estado, na noite de quinta-feira.
Líder nas pesquisas juntamente com Ângelo Vanhoni (PT), Beto Richa (PSDB) optou por fugir do confronto direto com seu principal adversário. Embora tenha tido a oportunidade de dirigir as perguntas diretamente ao petista em duas oportunidades, Richa esquivou-se e preferiu questionar dois candidatos nanicos: Leopoldo Campos (PSTC) e Pedro Manoel Neto (PMN). A tática de questionar o candidato do PSTC, porém, acabou voltando-se contra Beto: Leopoldo criticou o tucano por ter sido vice-prefeito durante quatro anos e nunca ter se esforçado para pôr em práticas as propostas que defendeu no debate. Beto exigiu o direito de resposta (o único reclamado na transmissão), mas não foi atendido.
Sem poder questionar Beto Richa devido às regras do debate, Vanhoni também preferiu não questionar os candidatos que ocupam o ''segundo pelotão nas pesquisas''. Na primeira rodada de perguntas, Vanhoni optou por Melo Viana (PV). Apenas na segunda rodada o petista dirigiu sua pergunta para Osmar Bertoldi (PFL), candidato apoiado pelo prefeito Cassio Taniguchi (PFL). Os dois protagonizaram os diálogos mais ásperos entre os candidatos de porte, embora mesmo assim sem serem muito incisivos. Bertoldi acusou o governo federal e estadual de mentirem em relação ao número de empregos gerados, enquanto Vanhoni criticou a gestão de Cassio em relação a sa©úde.
Rubens Bueno (PPS) mostrou que é o candidato que realmente tem a melhor oratória. Sem muitas expectativas de chegar ao segundo turno, Mauro Moraes (PL) estava relaxado durante o debate. Ao final do programa, o deputado estadual apenas pediu o voto da região sul da cidade, onde fica seu reduto eleitoral, e agradeceu o apoio dos eleitores.
No debate morno, os momentos mais ''inspirados'' acabaram vindo dos candidatos nanicos. Pedro Manoel Neto inovou, ao não pedir votos para ele, mas sim para os vereadores de seu partido. Melo Viana, que aproveitou a amplitude do sinal da emissora para pedir votos para seu partido em Araucária, também foi um caso a parte: em duas ocasiões o candidato ignorou solenemente a pergunta feita para falar sobre temas que não teve tempo de abordar no horário eleitoral gratuito. Leopoldo Campos chamou a atenção pela belicosidade, armando até uma ''pegadinha'' para Melo Viana ao perguntar o que era o direito de preempção, uma referência ao dispositivo legal que dá prioridade à prefeitura na compra de terrenos localizados em áreas estratégicas.


