Em Curitiba, 10% venderiam seus votos
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segunda-feira, 10 de maio de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo sabendo se tratar de uma prática ilegal, 10% dos eleitores de Curitiba estariam dispostos a vender seu voto nas eleições municipais deste ano. O dado foi levantado em uma pesquisa realizada pelo instituto Datacenso divulgada pela Federação dos Bancários da CUT em Curitiba (Fetec), que ouviu 200 pessoas na capital no último mês.
Segundo o presidente da Fetec, Adilson Stuzata, o número de eleitores que respondeu a pergunta é surpreendentemente alto. ''A porcentagem equivale a cerca de 116 mil eleitores em Curitiba. Se pensarmos que na última eleição o vereador menos votado teve pouco mais de 4 mil votos, temos uma situação preocupante'', destacou Stuzata.
Segundo o diretor do instituto Datacenso, Cláudio Shimoyama, a maior parte das pessoas que aceitariam vender seu voto pertence à camada mais pobre de sociedade. ''Houve variedade nas respostas. Alguns diziam que venderiam o voto por R$ 100, outros por R$ 6 mil. Mas o fato de serem em sua maioria pessoas pobres mostra o quanto a situação econômica pode afetar a consciência política do eleitor'', acredita Shimoyama. O Código Eleitoral prevê reclusão por até quatro anos e multas para quem comprar ou vender votos.
A pesquisa também apontou que dois terços dos entrevistados são favoráveis à redução do número de vereadores nas Câmaras Municipais, mesmo que isso não vá reduzir as despesas com o poder legislativo. ''Mesmo explicando que o poder legislativo recebe 4% do orçamento municipal independente do número de parlamentares, as pessoas ainda querem a redução no número de vereadores. Parece que há uma relação de indignação, com as pessoas passando a mensagem de que quanto mais gente, mais possibilidade de desvio de verbas'', analisou Stuzata.
A pesquisa foi realizada no município de Curitiba com 200 pessoas registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), divididas de acordo com sexo, escolaridade e renda familiar. A margem de erro da pesquisa é de 6,9%, e o grau de confiança é de 95%.


