Em crise de identidade, PT discute novos rumos
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sábado, 12 de março de 2005
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os dois eventos simultâneos organizados por correntes diferentes do PT, ontem, em Curitiba, são a manifestação concreta das divergências dentro do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os eventos marcam os 25 anos da legenda e tinham como objetivo debater rumos para o PT, que pela primeira vez em 23 anos conquistou a presidência.
A apenas uma quadra de distância, no centro da Capital, a ala mais à esquerda do partido criticava a política econômica do governo federal, que tem beneficiado os bancos mas não se mostrou capaz de conter o desemprego. Ao mesmo tempo, a corrente que apóia Lula discutia maneiras de reforçar o respaldo político ao presidente. De forma geral, o PT hoje mais afastado do ideal socialista e em crise de identidade busca união para o projeto de reeleição de Lula.
Apesar dos eventos separados, os petistas, acostumados a divergências internas, se mostram otimistas. No hotel Bourbon, estava a cúpula do partido, defensora ardorosa de Lula, a Unidade na Luta. São expoentes dessa corrente o presidente estadual da legenda, deputado estadual André Vargas, o presidente brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti e o ex-líder do governo Natálio Stica. Samek resumiu a situação: ''o governo vai bem e o PT vai mal''. Samek disse ter recebido um balanço ''saído do forno'' do Banco Central, que traz números positivos para os diversos setores da economia. ''Podemos dizer que está ruim mas está bom. O que o pessoal que critica quer, a política econômica da Argentina?'', questionou Samek.
O tom no encontro da Unidade na Luta é de organizar a sustentação de Lula. Essa pavimentação será feita através do processo de eleição direta, que escolherá em setembro os novos dirigentes nacionais, estaduais e municipais. André Vargas disse que as críticas são naturais, mas que o processo de discussão interna não pode ser autofágico. O prefeito de Londrina também se mostrou tranquilo em relação às divergências. ''O PT administra diferenças há 25 anos'', ponderou.
Enquanto a ala de Vargas reafirmava apoio ao presidente, no Hotel Caravelle representantes mais à esquerda criticavam a política econômica e a Medida Provisória 232, que instituiu a retenção de 1,5% à título de imposto de renda nas vendas dos produtores agrícolas à pessoas jurídicas, entre outras mudanças. O deputados federais Antonio Carlos Biscaia (RJ) e Selma Schons (PR) diziam que se o texto da MP não for aliviado, não será aprovado no Congresso. Eles não concordam com o aumento da carga tributária. Na visão do deputado estadual Tadeu Veneri, o momento é de complexidade. ''Passaram dois anos e agora a pergunta é: como serão os próximos dois anos? Não podemos fazer diferente do que propusemos''. Veneri completou observando que houve melhora, mas ainda há semelhanças com a gestão anterior (do neoliberal Fernando Henrique Cardoso, PSDB).
No Paraná, o PT pretende seguir um caminho independente do governo Roberto Requião, até porque uma boa parte do partido defende o lançamento de candidatura própria em 2006.


