Em Corumbá, FHC afirma que não fez nenhuma barganha
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Patricia Zorzan Agência FolhaDe Corumbá 
Apesar das evidências de liberação de recursos do Orçamento para abafar a criação da CPI da Corrupção, o presidente Fernando Henrique afirmou ontem, em Corumbá, que considera uma indignidade a associação da entrega de verbas à retirada de assinaturas favoráveis à investigação. Há liberação de recursos todos os dias. A máquina do governo não pára. Mas não há nenhuma ligação entre isso e a CPI. Isso é uma indignidade que eu não aceito, disse.
Não acho legítimo o governo liberar verbas para tirar assinaturas. Acho necessário que libere quando houver condições financeiras, independentemente do que estiver sendo votado. Se não vou ter de parar a liberação. Em seu discurso durante a inauguração de uma ponte sobre o Rio Paraguai, o presidente chegou a dizer que tal associação pretendia enganar o povo. Não é correto fazer de conta que o governo está usando métodos imorais para sustentar uma posição política. Eu posso errar, erro. Mas não de má-fé. E não erro nunca com o propósito menor, seja de colocar a sujeira debaixo do tapete, seja de beneficiar-me de qualquer tipo de coisa ilícita. Isso não é erro. É crime. E crime eu não pratico.
A liberação de verbas para o atendimento de emendas atingiu R$ 15,6 milhões na terça em um ritmo, no final da tarde, que chegou a R$ 2 milhões por hora. Até ontem os repasses, somente nesta semana, já eram de R$ 37 milhões. Ainda assim, FHC declarou que o instrumento que pretende utilizar para barrar a CPI é político e de convencimento. Olha a deformação mental. Como se instrumento político fosse sempre dar dinheiro. Instrumento político é dizer que estão fazendo uma coisa errada, que estão contra o governo, afirmou.


