Em convenção, Alckmin é aclamado presidente
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Pedro Venceslau/Agência Estado 
São Paulo - Rodeado de lideranças de partidos aliados em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) saiu ovacionado como candidato à Presidência da República da convenção estadual tucana realizada neste domingo na capital e ainda admitiu pela primeira vez a possibilidade de assumir o comando do partido. Recebido pela militância como presidenciável, Alckmin fez discurso de campanha afirmando que a união dos integrantes da sigla deve ser almejada para mudar o Brasil.
"Nós precisamos de unidade. Mas eu pergunto: união e unidade para quê? Para mudar o Brasil. Essa tem que ser a nossa mensagem, a nossa proposta. Com todos os riscos e com muita coragem", disse. Em seguida, afirmou que é a hora de o PSDB voltar às suas origens, ir ao encontro do povo, buscar a eficiência da gestão para reduzir as desigualdades e fazer o País voltar a crescer.
Sem mencionar nenhum dos dois cargos - o de presidente da República e do partido -, Alckmin reconheceu que o PSDB vive um grande desafio e, já fora do palco, afirmou aos jornalistas que a decisão sobre quem deve comandar o partido deve coletiva. "Vamos aguardar. Essa é uma decisão coletiva do Brasil inteiro. Vamos primeiro completar essa fase das convenções estaduais." A fala representa uma mudança no tom. Até este domingo, o governador rejeitava a possibilidade de assumir a presidência para pacificar a sigla.
Geraldo Alckmin chegou à Assembleia Legislativa, local da convenção, ao lado do ex-governador Alberto Goldman, que assumiu o cargo de presidente interino do partido após o senador Aécio Neves (MG) destituir o colega Tasso Jereissati (CE) do posto. O tucano foi cercado por militantes que pediam "Geraldo presidente" e teve dificuldade para chegar ao local do discurso.
A fala de Alckmin foi antecedida de um discurso do deputado Pedro Tobias, aliado histórico do governador reeleito ontem presidente do diretório paulista. Ao lado de Goldman e do senador José Serra, Tobias fez um "apelo público" para que o governador presida a sigla nacionalmente. "Geraldo, você é a pessoa que pode levantar o partido. Estamos à beira da divisão e precisamos de você", disse.
Sem citar nomes, Goldman também afirmou que os tucanos não podem deixar o partido se dividir ao meio. "A mais importante tarefa que talvez eu tenha agora é produzir um diretório nacional unificado, não permitir que esse partido se divida em chapas. A chapa tem que ser uma só, se não dividimos o partido ao meio no País inteiro. Aí, o PSDB acaba", afirmou.
Terminado o discurso do ex-governador e atual presidente tucano, militantes da Juventude do PSDB gritaram da plateia em coro: "Eu vim de pijama", em referência ao polêmico vídeo gravado pelo prefeito João Doria no qual ele critica Goldman e diz que ele "fica de pijamas" em casa. Doria também esteve na convenção, mas deixou o local antes de Alckmin ser conclamado por militantes a disputar o Palácio do Planalto.
Serra, por sua vez, ficou até o fim do evento e viu Alckmin ser ovacionado presidenciável, mas foi o único a não levantar as mãos quando Tobias pediu para os presentes se manifestarem sobre a eventual candidatura do governador. Mas foi festejado também, porém como possível candidato ao governo do Estado. "Um, dois, três, é Serra outra vez", cantava a Juventude tucana, em referência à sucessão de Alckmin. A aliados, no entanto, Serra ainda não descartou por completo entrar na disputa pela sucessão de Michel Temer.
Com o acirramento da disputa entre o senador Tasso e o governador Marconi Perillo (GO) pela presidência do PSDB, a tese de indicar Alckmin como uma terceira via tem ganhado força. Em uma mensagem publicada em sua página no Facebook na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu que Alckmin "tenha uma posição central na legenda".
Aliados do governador dizem que ele não quer entrar na disputa pela vaga, mas aceitaria a "missão" se fosse aclamado na convenção nacional como solução de consenso. Tese que coincide com a própria fala de Alckmin ontem. Se essa for mesmo a solução, Alckmin pode repetir estratégias já adotadas na fase pré-eleitoral de 2014. Um ano antes, Aécio Neves foi eleito presidente do PSDB antes de entrar na campanha pelo Presidência da República, assim como o ex-governador Eduardo Campos, que presidia o PSB. O cargo daria a Alckmin flexibilidade para viajar o Brasil na pré-campanha, em 2018.


