Curitiba - Ratinho Júnior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT) iniciam hoje a propaganda no rádio e televisão - dois dias após a previsão inicial. A decisão demonstra como anda tensa a disputa política na capital. A FOLHA conversou com Renato Adur e Gerson Guelmann, coordenadores das campanhas.
Adur e Guelmann concordaram que o tempo ampliado de televisão é a principal mudança, com dez minutos para cada candidato duas vezes ao dia. ''Nós tínhamos apenas três minutos, então as propostas do Ratinho foram apresentadas genericamente. Agora vamos aprofundar e mostrar quais pessoas estão qualificando o nosso planejamento'', antecipou Adur. Guelmann também prometeu mudanças na comunicação de Fruet. ''Agora as pessoas refletem mais sobre a campanha, que entra dentro das suas casas'', comentou.
Guelmann disse que ao apoiar Luciano Ducci (PSB), o governador Beto Richa praticamente forçou a coligação entre o PT e o PDT. ''O Fruet tinha um capital político próprio, que foi erodindo ao longo da eleição, mas nos últimos quinze dias, quando partiu para o ataque, conseguiu reverter e recuperar o crescimento'', observou.
''Nós tínhamos uma meta que era chegar ao segundo turno. Fizemos isso, com Ratinho conquistando 34% dos votos válidos. Agora vamos intensificar o trabalho, que passa pelo diálogo e organização das adesões'', diz Adur. PMDB, PP, PPL e grupos religiosos já ingressaram na campanha de Ratinho, beneficiado pelas declarações de neutralidade de Ducci e Richa.
Fruet tem recebido apoios isolados, como o DEM de Curitiba e vereadores do PSDB. Jaime Lerner mandou recado, pedindo votos para Fruet, mas também não virá. ''É um apoio importante, que ajuda a campanha'', maximizou Guelmann, amigo pessoal do ex-governador. ''O eleitor deve prestar atenção no confronto de ideias, de posturas, se ele quer que Curitiba volte ao rumo'', diz o coordenador do pedetista, lembrando que Fruet disputou o primeiro turno sem a presença dos principais cabos eleitorais do PT na cidade, mas teve a ex-senadora Marina Silva.
Para Renato Adur, a campanha de Ratinho será dividida em ''buscar uma cidade mais justa para a periferia, para os trabalhadores'' e ''resgatar a genialidade do planejamento urbano''. Ele diz que não teme comparações, pois Ratinho foi líder da bancada do PSC no Congresso. ''Ele é um bom gestor. Curitiba não precisa do melhor arquiteto, mas de alguém que saiba escolher os melhores técnicos para trabalhar pela cidade'', diz.

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