Belo Horizonte - As fortes dores no pescoço não impediram ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizasse as solenidades do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Belo Horizonte e Ribeirão das Neves, na região metropolitana, para desafiar a oposição. O presidente também fez referência direta às eleições municipais deste ano e disse que a população deve estar atenta com os candidatos que, de última hora, posam de ''milagreiros''.
Na capital mineira, Lula - que foi obrigado a se ausentar do palanque por cerca de 20 minutos e retornou usando um colar cervical - encerrou seu discurso com um recado para os oposicionistas. ''Com muito orgulho, com muito prazer eu vou continuar andando por esse país. A minha oposição não gosta que eu ande. Ela fala que eu estou fazendo campanha. Eu não sou candidato. O que eles querem é que eu fique dentro do meu gabinete, vendo eles fazerem discurso contra mim. Entre ouvir eles falarem de mim e abraçar o povo desse País, eu vou pra a rua'', afirmou.
Em Ribeirão das Neves, em clima festivo e em um palanque montado na periferia da cidade, o presidente pediu à platéia que prestasse atenção nos candidatos às eleições municipais. ''Vocês precisam acompanhar, porque agora é época de eleição. Agora é que vocês precisam descobrir quem é que esteve e está com vocês há muito tempo ou quem vai aparecer de última hora achando que é um milagreiro. Estou muito à vontade porque não sou candidato a prefeito, mas é nessa época que o pobre tem valor.''
Lula visitou pela manhã obras na Vila São José, em Belo Horizonte, e assinou novas ordens de serviço e contrato com o PAC. No início da tarde, na região metropolitana, ele participou de solenidade de autorização para o início de obras de saneamento e urbanização de favelas em oito municípios mineiros. As obras e o contrato somam R$ 1,164 bilhão.
Acompanhado de ministros e prefeitos, além do vice-presidente José Alencar, o presidente disse que o PAC é uma ''reparação histórica'' com a população mais pobre do País e que essa será a prioridade de seu governo até o final do mandato. Salientou ainda que ''rico não precisa do governo'' e que ''pobre custa muito barato''.
''Quero dedicar cada minuto, cada hora da minha vida para ver se a gente consegue consertar esse país que durante décadas alguns desmantelaram'', disse. ''Durante décadas e décadas as pessoas governaram apenas para 1/3 da população. Quem tinha mais, cada vez ficou com mais e quem tinha menos cada vez ficou com menos. Nós queremos equilibrar esse país.''
Sem perder a veemência nos discursos, Lula, porém, demonstrou bastante incômodo com as dores no pescoço, que tiveram início na noite de anteontem. Ainda na viagem de Brasília para a capital mineira, ele começou a reclamar do incômodo. No meio da solenidade, o presidente se dirigiu para a parte de trás do palanque e voltou com o colar cervical, recomendado pelo médico Cléber Ferreira. Bem-humorado, ele brincou com a situação, citando a primeira-dama Marisa Letícia.
''Está certo que a minha cabeça é um pouco agigantada para o meu pescoço. Hoje (ontem) de manhã, quando eu levantei e falei que estava com dor no pescoço, a Marisa falou assim para mim: como pode alguém que não tem pescoço ter dor no pescoço. Bem, são coisas da natureza.''

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