Saudado por prefeitos adversários, abraçado por idosas e recebido com caravanas, comícios, banda de música e foguetório, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, embora negue ter decidido concorrer, iniciou ontem, na prática, no Sul de Minas Gerais, a quarta campanha para presidente. A pretexto de visitar os municípios mineiros atingidos pelas consequências da baixa das águas do lago de Furnas Centrais Elétricas, Lula, em meio ao ambiente festivo, atacou o governo federal, criticou a falta de energia elétrica, apresentou as idéias para atrair o capital estrangeiro e bateu duro em adversários.
Oficialmente, porém, não pediu votos nem se disse candidato. Um dos atingidos pelas críticas do petista foi o governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB). Anteontem, Garotinho disse que Lula não tem preparo para ser presidente e que confundiria uma estação de esgoto com uma fábrica de cimento. Em Ibiraci (MG), Lula revidou. ‘‘Da minha parte, uma campanha presidencial não pode ter garotada nem molecagem. No dia em que eu me dispuser a ser candidato, como candidato, eu posso refutar as insinuações do Garotinho. Até lá, eu acho que as pessoas vão sendo medidas pela quantidade de bobagem que falam.’’
Lula também não gostou de saber do ataque desferido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), presidente nacional do partido. ‘‘A imagem que eu guardo do Bornhausen é a do (presidente Fernando) Collor. Não vou dizer o que o Collor falou dele; vocês pesquisem, vocês sabem o que o Collor falou dele.’’ Quando um jornalista perguntou se as declarações do senador catarinense sobre a possibilidade de saída de capital estrangeiro do País não seriam uma reedição da afirmação do então presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em 1989 (segundo as quais 10 mil empresários sairiam do Brasil se a legenda vencesse), Lula não concordou. ‘‘O Mario Amato, certamente, tinha mais credilidade.’’
Oficialmente, a viagem iniciada ontem pelo presidente de honra da sigla é uma retomada das Caravanas da Cidadania, que protagonizou entre 1993 e 1995 por diferentes partes do País. Ela percorrerá cidades próximas ao lago de Furnas até domingo, com paradas para atividades em que Lula deverá criticar a política energética do governo federal e as questões da região. Na prática, porém, o figurino visto ontem foi muito semelhante ao das campanhas eleitorais, com militantes com bandeiras vermelhas nas ruas e pequenas cidades paradas, em clima de festa, para receber o visitante. No primeiro dia de caravana, Lula passou por Ibiraci, Cássia, Itaú de Minas, Pratápolis e Passos, onde pernoitaria.
Ontem, o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), disse considerar difícil uma aliança da oposição em torno de um candidato único a presidente para o primeiro turno. Ele ressaltou, no entanto, que Lula continuará trabalhando em busca de um acordo político com outras legendas oposicionistas. ‘‘Compete ao PT ampliar ao máximo a aliança e, por isso, Lula tem sido complacente com outros pré-candidatos’’, afirmou Pinheiro, referindo-se aos ataques de adversários, como Garotinho.

mockup