Em clima de campanha, Dilma volta a acusar golpe
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Marcelo Toledo, <br>enviado especial Folhapress 
Presidente Prudente (SP) - Num evento com clima de campanha política, com a presença de 11 mil pessoas, segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), a presidente Dilma Rousseff criticou a oposição do país e voltou a falar em golpe. A afirmação foi feita em Presidente Prudente (a 558 km de São Paulo), onde a presidente esteve ontem para entregar 2.343 casas do programa Minha Casa, Minha Vida. Ao mesmo tempo, foram entregues 256 apartamentos num condomínio em Cotia, com a participação da presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior. Os ministros Gilberto Kassab (Cidades) e Carlos Gabas (Previdência Social) acompanharam a petista na visita ao interior paulista. O investimento nas duas cidades chega a R$ 179,11 milhões.
Em seu discurso em Presidente Prudente, interrompido por gritos de "Não vai ter golpe" de militantes petistas, membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), famílias beneficiadas com imóveis e integrantes de centrais sindicais, Dilma voltou a afirmar que a teoria do "quanto pior, melhor" prejudica a população. "Na política, o quanto pior leva ao pior. Porque nós conquistamos a democracia com imenso esforço. Qual é a base da democracia? A base da democracia é a legalidade e legitimidade dada pelo voto. Voto de quem? Voto de cada um dos brasileiros e brasileiras."
A cada frase de Dilma, a presidente era saudada por parte do público presente ao evento. "Qualquer forma de encurtar o caminho da rotatividade democrática é golpe sim, é golpe. Principalmente quando esse caminho é feito só de atalhos. É feito só de atalhos questionáveis", disse a petista que, após a frase, foi saudada pelos gritos de "Não vai ter golpe, não vai ter golpe" e "Dilma, eu te amo".
De manhã, em entrevista à Rádio Comercial AM, de Prudente, a presidente já tinha afirmado que usar a crise econômica enfrentada pelo país como mecanismo para tentar chegar ao poder é uma "versão moderna do golpe". Ao mesmo tempo, um protesto contra o governo Dilma era realizado no Parque do Povo, com ao menos 200 pessoas. O boneco Pixuleko, ícone dos protestos de agosto no país, foi levado ao evento.
Dilma ainda disse que "quem acha que tudo vai dar errado chama o erro para si mesmo". "A gente tem de ter primeiro tranquilidade de reconhecer onde está o problema. Nós hoje queremos (...) controlar a inflação, que corrói o salário e a renda do trabalhador e o lucro do empresário. Segundo, como qualquer família, queremos equilibrar nosso orçamento, queremos diminuir o desequilíbrio e ainda por cima fazer uma pequena, pequenininha, poupança, para o ano que vem, o outro ano, o outro ano."
Ainda segundo ela, o governo pretende também continuar assegurando tanto programas sociais quanto investimentos. Sobre o Minha Casa, Minha Vida, a presidente afirmou que o país vive um momento de dificuldades, mas vai começar a terceira fase do programa, "com cuidado". "Diminuiu um pouco o dinheiro que nós (governo) temos. Então nós vamos começar o Minha Casa, Minha Vida 3 com cuidado, mas vamos começar. Não vai haver hipótese de a gente não continuar. Não há essa hipótese", afirmou. "Todo esforço que estamos fazendo para cortar despesas do governo é para que o Minha Casa, Minha Vida 3 possa ser contratado e ser entregue. Que vai ser entregue para além de 2018 eu não tenho dúvida, mas assim como nós hoje ainda temos 1,5 milhão de casas para entregar, porque estão sendo construídas, depois vai acontecer a mesma coisa. Nós vamos fazer com cuidado tendo em consideração as dificuldades, como qualquer família, a gente dá uma apertada no cinto", disse.


