Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responderá carta enviada pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, com reclamações à decisão do governo brasileiro de conceder asilo político ao preso italiano Cesare Battisti, ex-integrante do grupo de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo, o PAC. Em meio à crise financeira, o aumento do desemprego e a disputa pelo comando do Senado, Lula considera a polêmica com Roma assunto encerrado, segundo avaliam pessoas próximas. Não há data para envio da resposta.
Em entrevista ontem, o porta-voz do Palácio do Planalto, Marcelo Baumbach, disse que só o presidente Giorgio Napolitano poderá divulgar a carta em que Lula irá reafirmar que a decisão do governo brasileiro é soberana. A declaração de Baumbach foi uma forma de o Planalto reclamar oficialmente da divulgação da mensagem de Napolitano na manhã de sábado, dia 17, antes de chegar às mãos de Lula, o que ocorreu na tarde do mesmo dia. ''A decisão do governo é soberana e o governo não pretende antecipar o conteúdo dessa carta'', disse Baumbach.
Cesare Battisti ganhou na semana passada o status de refugiado político. Ele está preso no Brasil desde 2007, quando foi detido pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. Battisti é acusado de ter cometido crimes nos anos 1970, período de guerra fria e luta armada no mundo.
Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Gianfranco Fini, enviou uma carta ao presidente da Câmara brasileira, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para manifestar seu descontentamento em relação à concessão do status de refugiado político ao ex-militante de extrema-esquerda.

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