Em campanha, Alckmin vê governo Lula contaminado
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em plena campanha eleitoral para a presidência da República em 2006, o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) esteve ontem em Curitiba para participar do IV Encontro Estadual de Empreendedores Rurais. Durante a teleconferência, transmitida via satélite para todo o Brasil, Alckmin fez duras críticas ao PT e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, o grande erro do governo federal foi confundir a administração brasileira com o PT. ''Ninguém está imune a ter erros na condução da administração pública, desde que sejam fatos pontuais. O problema é que isso não parece ser uma questão isolada. O número de ministérios e cargos criados para petistas provocou o aparecimento de uma estrutura sistêmica ocasionada pela mistura do partido e do governo, do privado e do público. Não se pode misturar as duas coisas. Hoje temos uma corrupção que me parece estar instalada dentro do seio do governo federal.''
Para Alckmin, Lula ainda pode reverter a situação se provocar uma agenda positiva que não tente apenas apontar os erros do passado, mas passe a punir os erros do presente. Ele considera que o governo precisa acelerar e apostar em reformas política, tributária e previdenciária para reduzir os impactos dos gastos excessivos e aumente a capacidade para investimentos, sem geração de mecanismos corruptos e viciados. O governador de São Paulo evitou falar na reeleição de Lula e na campanha presidencial. Ele não nega que seja candidato. Evita falar sobre o assunto e joga a decisão sobre o tema para as convenções do ano que vem.
''Temos dois ansiosos no Brasil: os políticos e a imprensa. Estes dois tentam sempre antecipar eleições. Quero deixar essa discussão apenas para o momento certo. A decisão de ser candidato não pode ser de um político e, sim, de um conjunto'', acrescentou. Ele aproveitou para dizer aos empreendedores rurais de todo o Brasil que o setor apenas irá crescer na medida em que o governo federal reduza os juros, altere o câmbio (para auxiliar as exportações), aproveite as oportunidades de mercado e desonere as tributações no setor produtivo. ''É fundamental enfrentarmos os gargalos da ineficiência. Não tem uma mágica, ou uma solução milagrosa. As ações precisam ser conjuntas e imediatas'', ponderou o governador.
Alckmin falou sobre as ações que tomou em São Paulo e que aumentaram as exportações nos últimos três anos, como desonerações de setores produtivos e redução de alíquotas de exportação. A estrutura ferroviária também teria sido alterada, com todo o tráfego de cargas sendo realizado fora da Região Metropolitana de São Paulo. Escolas da família teriam auxiliado os jovens que vivem no campo e trabalham e teriam levado mais estudo com investimento zero já que os professores são universitários que ganham bolsa do governo estadual e pagam com trabalho nos finais de semana. ''Temos que ter consciência que governo nenhum gera emprego. Quem gera é o empreendedor. Ele é que tem que ser beneficiado''.


