Imagem ilustrativa da imagem Em balanço do ano, Temer ignora denúncias e quedas de ministros
| Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
"O ano de 2017 será novo e de muita realização e esperança não só para o governo federal, mas também para os brasileiros ", afirmou Michel Temer


Brasília - Em balanço de final de ano, o presidente Michel Temer ignorou nessa quinta-feira (29) as denúncias de irregularidades contra integrantes do governo federal e a queda de seis ministros em pouco mais de sete meses desde que assumiu o Palácio do Planalto. Temer disse que "2017 será efetivamente um ano novo e não será a continuação de 2016" e que o Executivo começou o combate à recessão, que deve continuar apenas no começo de 2017. "Mas 2017 será efetivamente o ano novo, será um ano que, se Deus quiser, vamos vencer a crise, e vencendo a crise, saindo da recessão, obtendo crescimento, naturalmente você tem a empregabilidade", disse.

No pronunciamento, o peemedebista não lembrou da saída de Geddel Vieira Lima da Secretaria de Governo, após ser acusado de atuar em nome de interesses próprios, ou da delação premiada de um ex-executivo da Odebrecht, a qual teve como desfecho a queda do assessor presidencial José Yunes, amigo pessoal do presidente. Além de Geddel, deixaram o governo federal desde que Temer assumiu o Palácio do Planalto Marcelo Calero (Cultura), Henrique Alves (Turismo), Fábio Osório (AGU), Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência).

Na tentativa de impor uma pauta positiva, no esforço de superar a atual crise política, o presidente focou seu discurso feito no Palácio do Planalto em realizações na área econômica, como o envio da reforma previdenciária e a aprovação da proposta do teto de gastos públicos.

Ele evitou também falar da minirreforma ministerial que pretende realizar em fevereiro, após a definição do novo presidente da Câmara dos Deputados. Ele avalia, por exemplo, fazer trocas em pastas como Saúde, Trabalho, Planejamento e Meio Ambiente. "Vamos esperar o ano que vem", comentou.

No discurso, como tem feito desde que assumiu o governo federal, ele fez questão de agradecer o Congresso Nacional pelas propostas governistas que foram aprovadas e defendeu a liberdade de imprensa no país. "Eu quero homenagear a imprensa brasileira, principalmente a imprensa livre no país, que tem feito um trabalho extraordinário para revelar a democracia no Brasil e a força das nossas instituições", disse.

No final do pronunciamento, o presidente pediu que as pessoas façam um "pensamento positivo" na noite da virada do ano. "O ano de 2017 será novo e de muita realização e esperança não só para o governo federal, mas também para os brasileiros ", afirmou.

DESEMPREGO

Temer afirmou que acredita que a partir do segundo semestre do ano que vem o desemprego comece a cair. "Não quero iludir ninguém, mas esse será um tema que começará a ser efetivado, consolidado, (...) pensando o que temos de projeções, que a partir do segundo semestre do ano que vem é muito provável que o desemprego venha a cair em função das medidas que nós estamos tomando", disse.
Segundo Temer, o governo sabe da "angústia do desemprego". "É uma coisa que perturba as pessoas no nosso país. Cria sentimento de instabilidade muito grande", afirmou.

Ao ser questionado sobre o resultado do desemprego apresentado nessa quinta (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Temer afirmou que "preocupa enormemente". "Por isso que nosso objetivo ao fazermos essas medidas é justamente combater o desemprego." De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o País registrou patamar recorde de desempregados na reta final do ano, um total de 12,132 milhões de pessoas em busca de uma vaga no trimestre encerrado em novembro, dentro da série histórica da Pesquisa, iniciada em 2012.

REFORMAS

Temer afirmou, ainda, que o apoio da base aliada no Congresso vai ser "importantíssimo" para que as reformas propostas pelo governo avancem no Congresso. Segundo ele, a aprovação da chamada PEC do Teto dos Gastos foi um passo importante, mas no próximo ano o governo terá que trabalhar em conjunto com os parlamentares para aprovar tanto a reforma da Previdência como a trabalhista. Ele destacou que a modernização da legislação trabalhista é um ponto fundamental para tirar o País da crise e, por ter sido pactuada com sindicatos e empregadores, deverá ter "fácil tramitação" no Congresso. Ele não teceu comentários sobre a Previdência, que deverá encontrar forte resistência entre os parlamentares.

FGTS

Em seu balanço, Temer também destacou a importância para a economia das medidas que foram anunciadas na semana passada, entre elas a possibilidade de as pessoas sacarem todo o dinheiro que têm em contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). "A medida permite aporte de dinheiro para quem teve conta paralisada e movimenta a economia", disse.

Ele também afirmou que o governo trabalhou para reduzir os juros rotativo do cartão de crédito, que, segundo ele, era "exageradíssimo".

Em mais um destaque para a agenda positiva dos últimos dias, ele comentou a visita recente ao Nordeste, e disse que o governo tem trabalhado em ações de combate a seca e que as obras do Rio São Francisco avançarão no ano que vem.

Temer também lembrou do repasse aos Estados de R$ 1,2 bilhão do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), anunciado na quarta-feira, e da sanção da Lei 13.409/16, que reserva vagas para pessoas com deficiência nos cursos técnicos de nível médio e superior das instituições federais de ensino, publicada nesta quinta no Diário Oficial da União, também dentro da estratégia do governo de criar fatos positivos.

ESTADOS

O presidente destacou também em sua mensagem de fim de ano que o veto ao projeto de recuperação fiscal aos estados da forma que chegou ao Executivo, depois de sua passagem pela Câmara, não tinha sentido. "Da forma como veio ao executivo tornou-se mais ou menos inútil. Se não houver contrapartida, quando você entrega um dinheiro para um Estado aquilo serve para uma emergência, mas não serve para preparar o futuro", disse. Temer afirmou, entretanto, que isso não significa dizer que o governo vai abandonar os Estados em dificuldades financeiras. "Nós vamos agora negociar com cada Estado que esteja em dificuldades para verificar quais sejam as dificuldades, quais as contrapartidas que possam ser oferecidas e o que poderá a União federal fazer para socorrer esses Estados", disse.

VIAGEM

Temer viajou nessa quinta para o Rio de Janeiro, onde passará a virada do ano. O peemedebista deve ficar até a próxima segunda-feira (2) em uma base militar em Restinga de Marambaia, acompanhado da família. Colaboraram Carla Araújo e Isadora Peron/Agência Estado

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