O promotor do Gaeco Leandro Antunes afirmou que a denúncia apresentada na conclusão da Operação ZR3 foi baseada em interceptações telefônicas, conversas pelo Whatsapp e análises de materiais encontrados nas casas e empresas dos investigados.

Entre eles, um áudio enviado pelo vereador Rony Alves para o ex-presidente da Câmara, Mário Takahashi, que estava em viagem ao exterior, foi apresentado durante a coletiva da tarde desta sexta-feira (9). Segundo o delegado do Gaeco, Alan Flore, Alves pede autorização para Takahashi para dar continuidade nas tratativas com o empresário Júnior Zampar, denunciante do suposto esquema.

Além disso, ainda de acordo com Flore, Alves comentou que já havia conversado com o empresário e membro do Conselho Municipal de Cidade, Luiz Guilherme Alho, que se colocou à disposição para encabeçar o projeto. No final da conversa, Rony fala que não poderia ser dado apenas "tapinhas nas costas" dos parlamentares.

"A própria narrativa deixa claro qual era a intenção dos vereadores ao encamparem a luta pela aprovação deste projeto específico", disse o delegado do Gaeco durante a entrevista coletiva.

O OUTRO LADO

Procurado pela reportagem, os advogados do vereador Mário Takahashi afirmaram que vão avaliar a denúncia antes de qualquer manifestação do parlamentar.

Em nota enviada à FOLHA, o advogado de defesa de Rony Alves, Maurício Carneiro, argumentou que toda a denúncia "deve coincidir com elementos de provas colhidas na fase de investigação que confirmem, mesmo minimamente a existência da conduta ou do ato". Na avaliação dele, isso não ocorreu na apresentação da denúncia no Ministério Público.

"Não há um único depoimento ou qualquer prova documental que confirme a existência de suposto crime e, com maior razão, que os acusados teriam praticado qualquer modalidade de delito", afirma Carneiro.

Sobre os áudios gravados, o advogado lembra que os denunciados não incriminaram Alves nos depoimentos ao Gaeco. "Tais silêncios, existentes nas falas acima, são provas incontestáveis de que o vereador Rony Alves jamais pediu ou recebeu qualquer tipo de vantagem, inclusive financeira durante todo o tempo em que está como vereador em Londrina."

A nota ainda critica o "atropelo" dos promotores de Justiça que, segundo o advogado, "poderiam ter prosseguido com as investigações com cautela". Ele ainda declara que a denúncia está baseada em "opinião".

"Como ficaria a situação de, na hipótese provável, por ora denunciados, serem inocentados? O Ministério Público convocaria a imprensa para afirmar que houve equívocos na denúncia? Os veículos de comunicação concederiam o mesmo espaço que o vereador Prof. Rony pudesse, ao menos, tentar ressarcir sua imagem?A desqualificação seria revertida nas manchetes dos noticiários?", questiona o advogado de defesa.

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