São Paulo - Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão no processo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu afirmou em artigo divulgado ontem que 2012 foi o ano da ''concretização de uma farsa político-jurídica e midiática''. No texto, publicado no site do jornal ''O Globo'', ele acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de ter ''trilhado o caminho do julgamento eminentemente político'' e volta a dizer que foi condenado sem provas.
''Nessa esteira, cometeu-se toda a sorte de inovações jurídicas: do ineditismo de um julgamento com dezenas de réus sem a possibilidade de duplo grau de jurisdição à utilização parcial de uma teoria jurídica para a dispensa de provas, na qual o próprio autor apontou equívocos de interpretação em sua adoção'', escreve. Dirceu critica também o relator da ação, ministro Joaquim Barbosa. ''Forjou-se um herói nacional, não pelas massas e movimentos sociais, mas das letras e imagens midiáticas.''
Segundo Dirceu, o objetivo dessa ''farsa'' era ''atingir o projeto de desenvolvimento do país iniciado com a chegada do companheiro Lula à Presidência da República''. Ele diz que os objetivos só seriam alcançados com um ''desfecho pré-conhecido'': ''minha condenação como mentor de um inexistente esquema de compra de votos no Congresso Nacional''.
O ex-ministro diz também que os meios de comunicação - que diz serem um ''poder sob forte monopólio e ainda controlado pelas velhas oligarquias'' -pressionaram o Judiciário para que ele ''exibisse ao país a prova incontestável de que a era da impunidade acabou''.
Ele encerra o texto dizendo que seguirá lutando para provar sua inocência. ''Após o ano da concretização de uma farsa, que 2013 seja o ano do ressurgimento da verdade.''

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