Em almoço com Dilma, PTB propõe novo imposto
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Brasília - A presidente Dilma Rousseff inaugurou com almoço com a bancada do PTB, ontem, no Palácio da Alvorada, uma série de reuniões de aproximação política que pretende fazer, a partir de agora, com os 14 partidos da base aliada. Ao sair do almoço, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), disse que o partido entregou para a presidente uma proposta de criação do imposto social sobre movimentação financeira, que substituiria a futura CPMF e que englobaria também o IOF, CSLL e Cofins. A arrecadação seria distribuída 50% para a União e 50% dividido entre Estados e municípios.
Dilma prometeu estudar a proposta, mas não deixou de defender a CPMF e outras medidas do ajuste fiscal que considera "fundamentais" para levar adiante o equilíbrio das contas do governo. Amanhã, o PTB se reunirá com o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini para discutir os termos da proposta e levá-la à equipe econômica.
"A presidente tem dito que, se houver proposta melhor que a CPMF, que apresente, e nós apresentamos. Ela ficou de estudar e vai nos chamar para uma conversa na quinta", contou Arantes.
O deputado Ronaldo Nogueira, que elaborou a proposta encampada pela bancada, explicou que este novo imposto desonera a produção e a folha de pagamentos e a forma de arrecadação seria nos mesmos moldes da CPMF. Pelas contas do deputado, como irá aumentar o número de pessoas que pagarão impostos, o governo deve arrecadar cerca de 30% a mais, pelo menos.
No almoço, a presidente começou sua fala lembrando sua origem no PTB, de onde saiu acompanhando o ex-governador Leonel Brizola e foi para o PDT e só depois seguiu para o PT. "O DNA dela é trabalhista", comentou o deputado Ronaldo Nogueira, ao lembrar que foi uma reunião "informal, muito mais de aproximação" que a presidente foi "muito solícita". "Ela tentou conquistar. Foi humilde e muito amigável e pediu nosso apoio e colaboração para ajudar o País voltar a crescer, se não este ano, no ano que vem", emendou o deputado Nelson Marquezelli (SP).
Na reunião, a presidente falou da sua preocupação com o nível de endividamento dos estados e municípios e prometeu alongamento do pagamento das dívidas para diminuir as parcelas a serem pagas. Mas Dilma avisou também que é preciso haver uma contrapartida destes entes federativos.
Dezenove dos 24 deputados petebistas da bancada foram ao almoço no Alvorada. Um dos ausentes, Arnaldo Faria de Sá (SP) disse que foi "insistentemente convidado", mas não quis ir porque é contra esse governo e a reforma da Previdência que ele quer fazer. "Seria muito hipócrita estar presente", afirmou ele, ao condenar a aproximação do partido com o governo.


