Em 98, 10% das prefeituras apresentaram irregularidades Arquivo FolhaPUNIÇÃOSaab, da AMP: ‘‘Quando é bandido tem que ir para o pau, desde que julgado, condenado e com direito à defesa’’ Benê Bianchi e Patrícia Zanin De Londrina Cerca de 10% das prefeituras paranaenses – em torno de 40 – tiveram irregularidades na prestação de contas de 98 detectadas pelo Tribunal de Contas (TC), segundo informações da assessoria de imprensa do órgão. As contas de 99 serão analisadas até o final deste ano. Ainda de acordo com a assessoria, normalmente as irregularidades são constatadas em prefeituras de municípios menores, mas ocorrem mais problemas com as contas das Câmaras de Vereadores. Cerca de 60 delas apresentaram irregularidades, sendo as mais comuns o uso inadequado de verbas e aumento de subsídios. A assessoria informa que, para tentar diminuir a ocorrência de irregularidades nas contas, o TC está realizando cursos em várias cidades do Estado, dirigidos a vereadores, prefeitos e funcionários públicos, que obtêm informações sobre os principais temas administrativos – licitações, contratação de pessoal, subsídio de vereadores e política de recursos humanos. As investigações principalmente sobre prefeituras feitas pelo Ministério Público, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça e comissões de inquérito das Câmaras de Vereadores têm apoio da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). ‘‘Quando é bandido tem que ir para o pau, desde que julgado, condenado e com direito de se defender’’, analisa o presidente da AMP e prefeito de Iretama, Same Saab (PSDB). Ele classifica como ‘‘saudáveis’’ as investigações em relação aos prefeitos que cometem irregularidades no exercício do cargo. ‘‘Desde que não sejam como a inquisição’’, emenda. O presidente da AMP acredita ainda que não se deve fazer da exceção uma regra. ‘‘Não dá para pegar um prefeito que foi cassado e usá-lo como exemplo de todos os prefeitos do Paraná. Existem prefeitos honestíssimos e dedicados’’, argumenta. Saab acredita ainda que muitos dos que estão sendo alvo do Tribunal de Contas para devolução de dinheiro não têm, necessariamente, responsabilidade por erros cometidos na administração. ‘‘Já ocorreram casos em que uma equipe despreparada faz, por exemplo, uma licitação errada e lá na frente o prefeito sofre denúncia e precisa pagar por um erro que não deve.’’ Ele defende treinamentos e investimentos constantes no quadro de servidores e que os funcionários públicos sejam sempre de carreira. O presidente da AMP reconhece, porém, que as denúncias comprovadas colocam a classe política sob suspeita e enfraquecem a democracia. ‘‘Quando a gente vê alguém falar muito de honestidade é preciso desconfiar. Honestidade é obrigação do homem público’’.