Em 89, denúncia não foi apurada
Em 89, denúncia não foi apurada
O embate entre o ex-dono do Bamerindus e a equipe do Banco Central começou, segundo Andrade Vieira, em 1989, quando o banco foi usado em fraude cambial e ele levou a denúncia ao conhecimento do ministério da Fazenda e do Banco Central e não viu apuração. Estranhei a não adoção de efetivas e imediatas e o Banco Central passou da posição de culpado para uma posição de acusador, instaurando um processo administrativo contra o Bamerindus e procurando denegrir sua imagem, lembrou.
Em 1995, com a participação de Andrade Vieira no governo do presidente Itamar Franco, como ministro da Indústria e do Comércio, ele disse que trabalhava como uma espécie de conselheiro na área econômica, com poder para opinar sobre queda da taxa de juros, recomendada pelo BC em duas ocasições. Ele disse que as sugestões eram mal recebidas pela equipe econômica. A administração do Banco Central dizia que eu tinha interesse pessoal, como banqueiro, na queda das taxas de juros, mas eu estava pensando no benefício do Brasil, afirmou.
Andrade Vieira afirmou que, quando decidiu disputar o Senado, em 1989, licenciou-se da presidência do Bamerindus e não mais voltou a exercer a presidência do banco, do qual continuava como acionista com 8% das ações.
As dificuldades financeiras no banco, segundo ele, foram resultado da crise sistêmica do País, em 95. Ele disse que o Bamerindus recebeu tratamento desigual se comparado aos outros bancos e afirmou que a instituição paranaense foi vítima de boatos sobre a não comercialização de seus créditos. Esses boatos geraram um buraco de R$ 2,3 bilhões e não foram desmentidos. E como diz o senador Requião, a mentira, repetida muitas vezes, acaba virando verdade.
A não comercialização dos créditos e a falta de apoio do governo, segundo Andrade Vieira, levaram o Bamerindus a buscar, no final de 95, uma fusão com o BCN, mas ela não ocorreu por empecilhos do BC, que exigiu que ele vendesse suas ações para concretizar o negócio. O ex-senador também denunciou tratamento desigual do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quando da busca de financiamentos para a Inpacel, indústria de papel do Bamerindus em Arapoti, Norte Pioneiro. O então presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, me disse: o BC recomendou que não fizéssemos nada com vocês, revelou. (P.Z.)





