Em 24 anos, três nomes no Planalto
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
A vitória da presidente Dilma Rousseff (PT) para o segundo mandato confirma a tendência política no País de reeleger a liderança que está no poder para seguir no comando do Executivo. Desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que assumiu a Presidência da República pela primeira vez em 1995, passando pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), até o final da próxima gestão, serão 24 anos com o governo federal sendo ocupado por dois partidos e três nomes se alternando no Planalto.
Com duas reeleições consecutivas, o PT já é o partido com maior permanência à frente do governo federal depois da redemocratização, quando o eleitor reconquistou o direito de votar e escolher os seus representantes. "Isso, por si só, não é um problema. Em São Paulo, por exemplo, o PSDB vai para 20 anos no poder", comentou o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci, lembrando do discurso tucano que enaltecia a necessidade de mudança. "A campanha petista usou exatamente esse argumento no segundo turno ao colocar uma dúvida especialmente na classe C, se queria arriscar com o novo, ou continuar com as conquistas econômicas dos últimos anos."
Embora defenda o fim da reeleição como uma forma de fortalecer os partidos, "que seriam obrigados a ter novos nomes", e menor uso da máquina pública na disputa, Cenci ressaltou que a continuidade de um grupo político deve ser considerada como a preferência da maioria da população. "Assim é a democracia, onde a permanência ocorre pela escolha do povo. O problema era a continuidade dos grupos de comando pela imposição, na ditadura."
Ainda na campanha, encerrada na semana passada, foi trazida ao debate a proposta de se acabar com a reeleição. Também a presidente Dilma, em especial após a vitória no domingo, discursou em favor da reforma política neste segundo mandato. Para o professor, "apenas acabar com a reeleição não é o principal, porque é preciso pensar o conjunto, como mudanças no financiamento das campanhas e mecanismos para que as Casas Legislativas sejam mais representativas".


