Se a expectativa em 2012, diante do caos, era de estabilidade, passados quase quatro anos, os eleitores querem mais e é isto o que estará em jogo na campanha de 2016. Em que pese reconhecerem os avanços nas relações institucionais, transparência e moralidade pública na administração de Kireeff, os analistas também comentam sobre os pontos fracos que certamente serão debatidos ao longo da disputa pela prefeitura.
"As pessoas acostumaram-se com a normalidade e agora querem mais do que o bom funcionamento da prefeitura. O desafio do próximo prefeito será não repetir os erros de Barbosa Neto e ir além de Kireeff nas obras e políticas públicas", diz professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci, doutor em Filosofia. "No momento não prevalece um anseio de ruptura, mas de rejeição ao retrocesso", avalia o professor da UEL Bianco Zalmora Garcia, doutor em Filosofia da Educação.
Do ponto de vista econômico, especialmente considerando a crise nacional, Cenci prevê que o próximo prefeito terá dificuldade em realizar as obras e os investimentos que a cidade almeja. "Pelo perfil econômico de Londrina, o caixa continuará baixo."
Pelo viés político, Garcia considera que a administração de Kireeff não conseguirá deixar um legado favorável, sobretudo por ter esvaziado o discurso político, enfatizando a técnica, o que impediu, mais um vez, o surgimento de lideranças. "Ao priorizar uma racionalidade estratégico-administrativa, dissociada de sua interface política, a gestão Kireeff engendrou sua própria contradição: a de se encastelar e, por sua vez, a de não ter promovido novas formas de organização e de participação política que permitissem a assunção de novas lideranças políticas."
Em razão disso, o professor aponta que "as eleições deste ano sinalizam um vazio de alternativas de governança, deixando a administração de Londrina à mercê de aventureiros de plantão". Otimista, no entanto, também acredita que esse período de estabilidade possa "trazer uma expectativa por novos candidatos com a envergadura administrativa e político-democrática necessária para assumir a gestão de Londrina e manter relações institucionais pautadas na moralidade republicana". (L.C.)

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