Em 2013, escândalo no IFPR gerou saída de secretário
No ano passado, a Polícia Federal (PF) prendeu 18 pessoas no mês de agosto em Curitiba e Cascavel, e nas cidades paulistas de São Carlos e Sorocaba, acusadas de integrarem uma quadrilha especializada em desviar recursos públicos voltados para a educação técnica do Paraná. As fraudes teriam ocorrido por meio de contratos firmados entre o Instituto Federal de Educação do Paraná (IFPR) e duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) e poderiam chegar a R$ 11 milhões, segundo a regional da Controladoria Geral da União (CGU), que também participou da ação. Os desvios teriam ocorrido entre os anos de 2009 a 2011.
A operação, batizada de "Sinapse", envolveu 200 policiais. Em entrevista à FOLHA, logo após as prisões, o delegado Felipe Hayashi afirmou que os recursos eram desviados em diferentes atuações. "O IFPR firmou termos de parcerias com duas Oscips e, por meio desses termos, eram desviados recursos em inúmeras práticas, desde superfaturamento até destinação a empresas de fachada, que não prestavam os serviços. Identificamos também que esses recursos retornavam a funcionários públicos, através de propinas", contou. Para mascarar os crimes, o grupo teria falsificado contratos e prestações de contas.
Segundo Hayashi, no mesmo período, o grupo teria ainda conseguido que alguns de seus integrantes fossem contratados pelo IFPR de forma fraudulenta. "Há indícios de que esses investigados ingressaram em concursos públicos no instituto e, dessa forma, passaram a ocupar cargos efetivos", completou. Dos 18 detidos, três trabalhavam no IFPR.
Menos de 24 horas após as prisões, o secretário estadual Alípio Leal pediu exoneração do cargo. Ele estava à frente da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) desde janeiro de 2011, quando Beto Richa (PSDB) assumiu o governo do Paraná. O ex-secretário era diretor da Escola Técnica da UFPR (Universidade Federal do Paraná) em 2008, quando foi destacado para dirigir a criação do IFPR no Estado. Antes de ir para o governo, ocupava novamente a reitoria do instituto. (E.F.)





