São Paulo - No mesmo dia em que comemorou o resultado da pesquisa Datafolha que apontou o seu favoritismo para a sucessão presidencial, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), cometeu um deslize e, em discurso, declarou que não estará à frente do governo paulista em ‘‘2010, 2011’’. ‘‘Mas em 2010, 2011 não estou mais aqui’’, disse o tucano, durante a cerimônia ontem de lançamento, no Palácio dos Bandeirantes, da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe São Paulo).
  Serra ouvia de um de seus auxiliares as metas do seu governo para os próximos anos na área de ciência e tecnologia, quando deu a declaração. Descontente com o número de bolsistas do Instituto de Pesquisa e Tecnologia (IPT) que fariam cursos no exterior pagos pelo governo, ele disse que esperava um contingente muito maior. Diante das explicações do assessor de que o ritmo aumentaria nos próximos anos, soltou a frase. A gafe arrancou risos da platéia formada por empresários e correligionários.
  Segundo a pesquisa Datafolha divulgada ontem, Serra lidera hoje a disputa presidencial com taxas que variam de 36% a 47%, conforme o cenário, com concorrentes como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).
  O governador mostrou-se contente com o resultado. ‘‘É bom estar na frente em uma pesquisa’’, disse. ‘‘Mas tenho presente que faltam dois anos para a eleição e que pesquisa é fotografia. Agora, estar bem na foto não é ruim. Me agrada’’, emendou.
  Serra afirmou que não tem nenhuma fórmula para essa liderança. ‘‘Eu não fiz nada para chegar a esse patamar nem estou preocupado em como manter. Minha preocupação é trabalhar em São Paulo.’’
  Sobre a gafe cometida no discurso, tentou se explicar. ‘‘Disse isso porque o meu mandato termina em 2010. 2011 eu não sei onde estarei. O fato é que eu quero que as coisas importantes terminem até 2010. É um sentimento natural’’, justificou.
PT e crise
  Serra reagiu com ironia às declarações de petistas de que os culpados pela crise mundial no País são o PSDB e DEM, representantes nacionais do modelo econômico neoliberal. O discurso foi a tônica do seminário promovido pela ala do PT liderada pelo ex-deputado José Dirceu no interior paulista no fim de semana.
  ‘‘Ah, sim, claro. O PSDB saiu do governo em 2002 e, vejam vocês, tem um poder extraordinário, que seis anos depois, com amplo apoio da opinião pública que o governo tem e maioria no Congresso, a culpa é do PSDB. Eu acho algo até engraçado’’, respondeu Serra.

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