Curitiba - Um dos fatos apontados na ação civil pública protocolada ontem pelo Ministério Público (MP) do Paraná contra 11 pessoas ligadas à Assembleia Legislativa (AL) do Estado é a ''retirada'' de 72 nomes da lista de funcionários da Casa divulgada no dia 31 de março de 2009, quando já havia uma cobrança por transparência. O MP relata que pouco antes da divulgação da lista com os nomes de todos os servidores da AL, conforme prometido pelo então presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), a administração exonerou 72 pessoas. Na sequência, contudo, depois que a lista já havia sido divulgada, as mesmas 72 pessoas foram readmitidas.
Entre as 72 pessoas, ao menos cinco se tornariam meses depois alvos do MP. É o caso, por exemplo, de Clori de Oliveira Gbur e de Pierre José Gbur, que foram denunciados no primeiro semestre do ano passado pelo MP por crime de peculato. Eles seriam ''fantasmas'' na AL. Clori foi exonerada da diretoria geral da AL no dia 1º de março de 2009 e readmitida para a administração da Casa em 1º de abril de 2009, ''escapando'' da lista divulgada no final de março. Pierre foi exonerado da diretoria geral e readmitido para o mesmo local nas mesmas datas de Clori. No dia 18 de maio do ano passado, Clori e Pierre foram denunciados pelo MP junto com mais 11 pessoas, a maioria parentes do corretor de imóveis Daor Afonso Marins de Oliveira, também ''fantasma'' segundo o MP e amigo do ex-diretor-geral da AL Abib Miguel. Clori e Pierre são irmã e sobrinho de Daor.
A lista de servidores da AL nunca tinha sido divulgada até aquele começo de 2009, quando, pressionado a dar mais transparência à AL, Nelson Justus disse que cumpriria o artigo 234 da Constituição do Estado, que obriga a publicação anual, até o final de março, de todos os servidores públicos, dos Três Poderes. Naquela lista, contudo, também não havia a respectiva lotação do servidor e nem os nomes dos servidores inativos. Só havia a separação entre comissionados e efetivos. Na ação civil pública de ontem, o MP afirma ainda que, das 72 pessoas 'apagadas', pelo menos 19 podem ser 'fantasmas'. (C.S.)

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