Durante investigações sobre desvio de recursos da Prefeitura de Maringá em 2001, um depoimento acusava o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) de pagar com dinheiro público um avião do doleiro londrinense Alberto Youssef em sua campanha eleitoral de 1998. Conforme reportagem da FOLHA publicada em fevereiro de 2001, a acusação partiu do ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi (já falecido). Ele afirmou em depoimento que "mais de R$ 200 mil", provenientes dos cofres públicos, foram usados para pagar o fretamento do avião de Youssef, que teria ficado à disposição de Alvaro Dias.
Em janeiro de 2002, Paolicchi foi condenado pela Justiça Federal a nove anos e 15 dias de prisão, acusado de peculato, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O ex-secretário de Fazenda foi encontrado morto em outubro de 2011 com dois tiros no rosto, dentro de um porta-malas de um veículo, no distrito de Floriano, em Maringá.
Procurado ontem pela reportagem, o senador não atendeu o celular. Já a assessoria de imprensa do tucano afirmou que, naquela época, Alvaro Dias alugou uma aeronave da empresa de táxi aéreo San Marino, de propriedade do doleiro. Os gastos foram declarados à Justiça Eleitoral, que aprovou as contas do senador sem ressalvas.
"A San Marino Táxi Aéreo, na cidade de Londrina, declara para devidos fins que cedeu para uso em viagens de campanha do senador Alvaro Dias, no período de 01/07/98 a 02/10/98 a aeronave Turbo Commander 6636D correspondente a seis horas de voos no valor de R$ 9.800,00", informa declaração da empresa anexada à prestação de contas do tucano, segundo sua assessoria.
Questionada sobre a representação do PSOL na Câmara Federal contra o deputado federal André Vargas, por conta do uso do avião de Youssef, a assessoria respondeu que Alvaro Dias não comentaria o caso.

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