Em 13 dias, 223 mortos no Oriente Médio
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terça-feira, 12 de março de 2002
France Presse 
JerusalémO conflito entre israelenses e palestinos deixou até ontem 223 mortos (163 palestinos, 58 israelenses e 2 assaltantes) desde que, a 28 de fevereiro, as forças israelenses invadiram dois campos de refugiados na Cisjordânia, dando inicio a um período de 13 dias de violência quase incontrolável.
No total, desde seu início, em 28 de setembro de 2000, a Intifada deixou 1.511 mortos, entre os quais 1.166 palestinos e 339 israelenses.
Operação sangrenta
Israel retirou, na madrugada de ontem, os tanques que ocupavam a região de Jabaliya, na Faixa de Gaza, após uma sangrenta operação que matou 17 palestinos e deixou outros 50 feridos, 12 em estado crítico, segundo fontes médicas palestinas. A operação israelense foi executada por 67 tanques, que entraram na localidade de Jabaliya e cercaram o acampamento de refugiados do mesmo nome, onde vivem mais de 95 mil palestinos.
Durante a incursão, as forças israelenses encontraram uma forte resistência da polícia e de civis palestinos armados e muitos habitantes do campo se negaram a obedecer as ordens para sair de suas casas.
Ataque palestino
Dez pessoas morreram ontem, em um ataque armado contra veículos que circulavam no norte de Israel, perto da fronteira libanesa, entre elas sete israelenses e os três atacantes, indicou o novo balanço das fontes médicas. O atentado, cometido com granadas e armas automáticas, aconteceu perto da localidade de Shlomi, indicou a rádio isralense. Um ônibus, um caminhão e vários automóveis foram atingidos pelo ataque antes da intervenção das forças israelenses.
Arafat
O presidente palestino, Yasser Arafat, classificou ontem de insolente a decisão do governo israelense de autorizá-lo a circular novamente nos territórios autônomos, em entrevista ao canal de televisão Al Jazira. Esta decisão de me autorizar a sair de Ramallah (Cisjordânia) é insolente, como se precisasse receber uma autorização, declarou o presidente palestino. O que se precisa fazer é levantar o bloqueio imposto ao nosso povo, cessar a agressão, a opressão, o racismo e o nazismo contra nosso povo, afirmou Arafat.
Crítica do Vaticano
O conflito israelense-palestino ocupou ontem a primeira página do jornal do Vaticano, LOsservatore Romano, que apresenta um editorial muito crítico para com o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, a quem acusa de brincar e de se contradizer, alternando ofertas de negociação e ataques cruéis.


