A vereadora Elza Correia anunciou ontem na Câmara de Vereadores de Londrina sua saída do PC do B. Ela fez um discurso emocionado e atribuiu a decisão a divergências políticas que ‘‘desagradam a forma pouco democrática de atuação’’. ‘‘Perdi três eleições e os melhores anos de minha vida para garantir minha coerência e esta mesma coerência me faz deixar o PC do B’’, desabafou.
Sem citar nomes, ela disse que os membros do partido desrespeitaram sua trajetória política. ‘‘Eles quiseram me botar uma camisa de força.’’ Elza Correia alega que ao invés de discutir politicamente seu mandato e a atuação do partido na sociedade civil, os filiados fizeram pressão para definir suas ações e interferir na formação de sua assessoria. ‘‘Não posso me submeter a um comportamento de desrespeito da direção municipal.’’
A vereadora admitiu que as divergências com o diretório começaram ano passado durante a campanha eleitoral e culminaram com sua recusa à imposição de nomes para assessorá-la no gabinete da Câmara. Ela reclama da falta de atenção da direção estadual do PC do B. ‘‘Pedi que intervissem, que estivessem mais presentes, mas não fui atendida’’.
Ontem, a direção estadual do PC do B distribuiu nota à imprensa criticando o afastamento da vereadora. ‘‘É, sobretudo, lamentável que na cena política brasileira persista a prática nociva do troca-troca partidário’’, diz a nota. O deputado federal Ricardo Gomyde (PC do B-PR) acusou a vereadora de traidora e ficou irritado por não ter sido consultado sobre a desfiliação. ‘‘Não vai ser nenhum debutante de esquerda que vai ditar normas de conduta a esta altura de minha vida. Quando muitos deles nem sonhavam em militar em partido de esquerda, eu e minha família lutávamos pelo partido ainda na ilegalidade.’’
Elza Correia diz não reconhecer autoridade nos membros do PC do B para julgá-la. ‘‘Confio, sim, no julgamento do povo de Londrina que me conhece’’. Ela garante que continuará defendendo o socialismo e a luta pela justiça social, garantia de direitos humanos e igualdade na distribuição de renda. A vereadora informou ter sido convidada para se filiar em todos os partidos, mas ainda não se definiu. Ela adiantou apenas que por questões de ‘‘princípio e afinidade ideológica’’, a análise deve se dar entre o PT, PSB e PMDB.

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