Duas candidaturas com apelo popular estão garantindo que a administração pública de Ponta Grossa (a 110 quilômetros de Curitiba), antes considerada uma das cidades de voto mais tradicional do Paraná, continue fora das mãos da ‘‘elite campeira’’ que anteriormente predominava na prefeitura. O engenheiro Péricles de Holeben Melo, deputado estadual do PT, e o atual prefeito, Jocelito Canto, do PSDB, que é radialista, polarizam a preferência do eleitorado. Em termos de Estado, qualquer que seja o eleito, o novo prefeito continuará sendo oposição ao governo de Jaimer Lerner (PFL). O município tem 182.439 eleitores, sendo o quarto colégio eleitoral do Estado.
Os nomes tradicionais ficaram de fora do páreo quando o deputado Plauto Miró Guimarães Filho (PFL), derrotado por Jocelito em 1996 (ficou em terceiro), decidiu não concorrer neste pleito. ‘‘Me decepcionei muito com o Lerner e sei que o povo de Ponta Grossa também’’, diz o prefeito Jocelito, que tem como principal cabo eleitoral o senador Alvaro Dias (PSDB). ‘‘Fui eleito deputado estadual para fiscalizar as ações do governo, sou da bancada de oposição e não negarei minhas ideologias partidárias’’, afirma o deputado Péricles, que tem o apoio do senador Roberto Requião (PMDB).
A Pesquisa Folha, publicada no dia 2 último, com o resultado da primeira rodada de intenção de votos em Ponta Grossa (a segunda será conhecida nos próximos dias), confirmou a forte polarização entre Péricles e Jocelito, mas Péricles detinha um diferencial muito forte em relação ao atual prefeito-candidato. A consulta indicou Péricles com 46,8% e Jocelito em segundo, com 31,4% das manifestações. O município tem seis candidatos.
O empresário da área imobiliária Carlos Roberto Tavarnaro, que concorre pelo PTB, é o mais próximo dos representantes dos grupos tradicionais que perderam espaço político na cidade para os políticos novos e populares. ‘‘Nossa candidatura conta com o apoio do ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho, dos deputados Plauto Miró e Afonso Camargo, e se o governador quiser subir no meu palanque, terei prazer em recebê-lo’’, garante.
Também candidato pela primeira vez, o advogado Wagner Menezes (PPS) aposta na renovação política como principal mote para o crescimento de sua campanha. ‘‘O eleitor quer gente jovem, sem vícios dos políticos tradicionais.’’ Existem mais dois candidatos na disputa: Rogério Marcondes (PRN) e José Pencoski (PSC).
Se em outros municípios os atuais prefeitos enfrentam ataques dos adversários, em Ponta Grossa, onde as denúncias de irregularidades na administração já duram três anos e meio, não é diferente. Cada um a seu modo, todos os opositores exploram as suspeitas de corrupção no governo. ‘‘É natural que as críticas cresçam, mas estou tranquilo porque sei que não fiz nada por má-fé, se aconteceu alguma irregularidade foi erro administrativo e não teve a intenção de prejudicar ninguém’’, afirma o prefeito.
Péricles diz ter a obrigação política e moral de apontar as falhas da gestão de Jocelito. ‘‘Não vou fazer ataques rasteiros, mas é preciso mostrar que esse governo sucateou o parque de máquinas, paga mal os professores, investe equivocadamente e não tem projeto.’’ A mesma crítica é feita por Tavarnaro. ‘‘Como administrador, sei que tenho condições de corrigir a gestão pública da cidade e pagar as dívidas que serão deixadas pelo prefeito atual.’’
Ex-integrante do grupo de Jocelito (Wagner Menezes pertencia à Juventude do PSDB em 1996, partido de Jocelito), é mais brando nas críticas ao governo municipal. Ele centraliza seu discurso em projetos inovadores como a quebra do monopólio no transporte coletivo e no serviço de coleta de lixo municipal. ‘‘Somos oposição, mas queremos apresentar propostas viáveis; como os outros grupos têm o ‘‘rabo preso’’ com grandes empresas, não podem defender modificações nos serviços’’, completa.

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